quarta-feira, 4 de maio de 2011

Bérberes





Cruzei um deserto
inteiro
do meu ser humano

A galope
A cavalo

De dia, muita areia
De noite, na companhia de um céu aberto
Em um mar de estrelas,
Mergulhava tudo de sonho que tinha
Um livro cheio de histórias para contar
"Eu tenho tanta coisa para te dizer"

Passando por muitas paisagens
Todas tão iguais
Sentia um frio escaldante
Quase não chovia
Quase nem água tinha

Parei para descansar
As minhas mãos em tintas
O vento em meus cabelos
E uma sensação de liberdade conflitante

Enquanto o cavalo bebia água
Observa do precipício
O silenciar dos passos
E a respiração desacelerando

Veja as linhas de minhas mãos!
Pouco tempo me foi dado em sua presença
Porque ensisto na busca?
Por que essa necessidade de senti-lo?

Me sorriu daquele jeito, o sábio
Porque eu não parecia compreender
O que já compreendia

"Um só ser
Um só coração
Mas dois desertos diferentes..."

Me vendo pensando
continuava em silencio
Segurou as minhas mão
E me pôs de novo a caminho

"Refaça-o!
Comece de novo,
E de novo, e de novo...
Não se deixa de amar!"

Nesse momento, antes de ir
Àquela mesma sensação do início
De recomeço?
Senti que em algum lugar do mundo me sorriu
Acenei, olhei mais uma vez para dentro de mim
E senti... que também o amava...