domingo, 27 de março de 2011

Estrada







Concede-me a última dança, cavalheiro?!
Porque já me vou
Por uma noite
Por uma vida inteira

Eu que não peço
Que ando descalça
Que não paro nunca

Sigo
Quantos caminhos
Que se perdem aos meus olhos
chorei só até amanhecer
Depois foi mais um outro dia
Uma outra cidade
Uma outra dança

Não me detenho na poeira da estrada
vejo a infinidade da paisagem
A seduzir os meus pés
A onde mais encontrariam pouso
Esses pés calejados tão sedendos de caminhos?

Sem atalhos
Nem ilusão ou qualquer tipo de sonho
Vou acordar amanhã
E ver o que fazer do dia
Das estrelas da noite

De suas mentiras,
Mas uma marca
Poeira de estrada
Sem querer saber o porquê
Tenho lugares
Tenho lembranças
E uma vida
que não me deixa morrer.

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