Eu fui calando, calando...
Silenciando
Um silêncio que havia em mim
E o barco
Desancorando
Aguardando.
Partiamos!
Sem a pressa de quem precisa chegar a algum lugar
Precisava somente partir...
Relutei,
Não minto!
O mais dificil foi esquecer
Os olhos serenavam ao próprio ritmo
E ele que tantas vez escutou os meus versos declamados
Estava aqui
E agora
E no sempre que deve estar
Para onde ir, o que levar
Bússolas sem Norte
Lhe expliquei
Rindo daquele jeito dele
Me viu partindo e ficou onde estava
Daqui em diante
O caminho é o teu melhor guia
Pés firmes
Em descalços
Marcas
Areia
Chão
E o mar? Perguntei
Dentro de ti
E a viagem?
Em ti
Respondia daquele jeito muito dele
Tens o mundo
E eu, a ti
Seguiras os meus passos
A literatura dos teus olhos
E conselhos? Gritei!
Os teus próprios
Respondia sem falar
Da outra margem
Que se distanciava
De alguma forma não estava mais com medo
do escuro, mas sabia que jamais dormiria tranquila
Sonhos, ficaram com ele
Mas o outro ele, respondeu, "continua contigo"
Como se estivesse me ouvindo
A alma comunga a mesma alma
Mas caminhos distintos
Calou-se...
E foi se perdendo ao vento
E sentindo de fato o barco desancorado
Partindo
Em em um todo
Em quantas partes? Nao sei te dizer...
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Barco...
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domingo, 18 de setembro de 2011
Sensação de fim... oficial

Hoje esta saindo
Como entrou
Do nada
E por nada
Para que a vida siga
Arrumando a mala apressada
O trem me espera
Não o levo comigo
Não levo muito
Sei que tenho que caminhar
Há uma sensação de fim
Há uma sensação de recomeço
Está debaixo do livro mais pesado
Daquele que sei que jamais voltarei a ler
Que vou esquecer
Mas vou guardar... até que não mais seja
E aconteça
Que saia de verdade como entrou
Do nada
Para o nada
Que não restou...
Postado por Raquel Carvalho às 21:46 0 comentários
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Elle

Meus olhos cruzaram os seus em uma rápida ráfrega de segundos. Mas suficientes... Devia ter uns 15 ou 16 anos. E estava intessada em música. Fato que me chamou atenção, pois moças da sua idade estavam interessadas em arrumar marido. Tinha um ar altivo dos aristocratas. Vinha acompanhada de uma dama, que parecia uma preceptora, ou alguma coisa do tipo. Uma senhora de uns 50 ou 60 anos. Tinham uma relação de proximidade e conversavam em francês. Talvez fosse uma tia, dessas solteironas que se dedicam a criação dos sobrinos e os tratam com tanta devoção como se fossem verdadeiramente filhos seus.
Tudo isso observava enquanto falava como o seu tio. Um amigo pessoal e um grande incentivador do meu trabalho. De origem francesa, a tradicional familia, que o sobrenome não importa, era conhecida por toda europa por possuirem uma grande rede de bancos. Banqueiros mecenas apaixonados por arte, em especial pela música.
A sobrina vinha da França para ter aulas de piano comigo. Destacava-se por sua incrível inteligência musical e uma habilidade especial com o piano. O que deixava a todos muito orgulhosos em sua família e a incentivam a tocar. Coisa rara para época. O tio falava dela sempre com muito carinho, o que dava para perceber que era muito paparicada pela família. Pois nem de suas filhas ele falava com tamanho entusiasmo.
Depois de convencer o irmão de que a sobrinha tinha um talento raro para a música e um brilhante futuro como pianista, ele permitiu a sua vinda à Austria, que ficaria aos seus cuidados e da preceptora. A essas alturas a minha fama de sedutor já havia percorrido os quatro cantos da Europa e era quase igual a outra.
Fiquei ansioso por conhecê-la, não minto. E ela era realmente diferente. Como eu ia dizendo, tinha a altivez típica dos aristocratas e andava como balharina, porém com uma aura de simplicidade que também lhe era nata. Não usava decotes, ou joias exuberantes. Mas era impossível não olhar para ela. Não me concentrava na conversa do amigo, a observava discretamente.
Ele nos apresentou, mostrava-me indiferente, claro! Ela, tímida. Tímida? Hoje, eu sei que não. Era do tipo inteligente de mais para ser tímida. Foi uma das mulheres mais inteligentes que conheci.
Nossos olhos se cruzaram mais uma vez, dessa vez pude vê-los de perto. Eram negros e buliçosos, curiosos. Sussurrou seu nome. Ensaianos uma breve apresentação como o meu francês enferrujado, e depois de devidamente apresentados, fomos ao piano.
Ela tocou lindamente e eu sei que foi para mim... E de vera fora...
Postado por Raquel Carvalho às 08:21 0 comentários
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Entalo
Sem imagens
Nem som
Até o silêncio é expressivo
Sem sonhos
Nem cor
O não quero
O não respiro
Uma pausa...
Nada de caminhos
Nada de mim chorando pelos cantos
Eu, também não
Ele também não fica
Não grito
Não escuto
Pulo
Voou
Montanhas
Velocidade
Esquecimento
Vento
Palavras sem pronunci[ação
Cansaço
Falta de sono
Falta de nada, não!
Chão
Estrelas
Horizontes
Uma cantilena árabe que toca sutil
Ao fundo
Ao meu coração
Um poeta,
Uma tribo nômade, berbere
Uma incrível sensibilidade que não dá conta do mundo
Canto?
Palavras em desconexão
sôfregas pela entonação de uma voz
Que fala da alma
Do Espírito
Do deserto, impossível construir-te
A qualquer custo
Não resta nada, não!
Sem imagem
Sem porto
Nem barco a vela ancorando coração
Verdade alguma
Entalo
O não fim...
A vida de cabeça para baixo
E a janela que não se encontrou fechada
Quis ver
Baixei a guarda
Perdi todos os meus sonhos
Voaram os meus poemas
Foi-se a poesia das mãos
E a vontade de dormir
Agora, nada não!
Postado por Raquel Carvalho às 19:31 0 comentários
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Bérberes

Cruzei um deserto
inteiro
do meu ser humano
A galope
A cavalo
De dia, muita areia
De noite, na companhia de um céu aberto
Em um mar de estrelas,
Mergulhava tudo de sonho que tinha
Um livro cheio de histórias para contar
"Eu tenho tanta coisa para te dizer"
Passando por muitas paisagens
Todas tão iguais
Sentia um frio escaldante
Quase não chovia
Quase nem água tinha
Parei para descansar
As minhas mãos em tintas
O vento em meus cabelos
E uma sensação de liberdade conflitante
Enquanto o cavalo bebia água
Observa do precipício
O silenciar dos passos
E a respiração desacelerando
Veja as linhas de minhas mãos!
Pouco tempo me foi dado em sua presença
Porque ensisto na busca?
Por que essa necessidade de senti-lo?
Me sorriu daquele jeito, o sábio
Porque eu não parecia compreender
O que já compreendia
"Um só ser
Um só coração
Mas dois desertos diferentes..."
Me vendo pensando
continuava em silencio
Segurou as minhas mão
E me pôs de novo a caminho
"Refaça-o!
Comece de novo,
E de novo, e de novo...
Não se deixa de amar!"
Nesse momento, antes de ir
Àquela mesma sensação do início
De recomeço?
Senti que em algum lugar do mundo me sorriu
Acenei, olhei mais uma vez para dentro de mim
E senti... que também o amava...
Postado por Raquel Carvalho às 08:22 0 comentários
domingo, 3 de abril de 2011
Iceberg

Eu
Perdida no mundo
Que não sabe mais notícias tuas
Que não esquece nunca
Mundo contrário, flutuante
Mundo de mentiras em olhares duvidosos
De palavras falsas e sem rumo algum
Desnorteando
Versos
E sons
Tardes inteiras em pôr-de-sol
Onde guardo
A presença dos teus olhos
E o sorriso do teu olhar
Ao ver-nos
Passando em lados opostos
Sem ter como saber
porque não nos perdemos de vista
Às vezes me traio
Mas a realidade é flutuante
Em blocos de gelos
São tantos icebergs
No mar de minhas dúvidas
E sempre ao fim de todas as tardes
É naquele pôr-do sol que guardo
O amor maior do mundo
Em todas as minhas viagens...
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domingo, 27 de março de 2011
Estrada

Concede-me a última dança, cavalheiro?!
Porque já me vou
Por uma noite
Por uma vida inteira
Eu que não peço
Que ando descalça
Que não paro nunca
Sigo
Quantos caminhos
Que se perdem aos meus olhos
chorei só até amanhecer
Depois foi mais um outro dia
Uma outra cidade
Uma outra dança
Não me detenho na poeira da estrada
vejo a infinidade da paisagem
A seduzir os meus pés
A onde mais encontrariam pouso
Esses pés calejados tão sedendos de caminhos?
Sem atalhos
Nem ilusão ou qualquer tipo de sonho
Vou acordar amanhã
E ver o que fazer do dia
Das estrelas da noite
De suas mentiras,
Mas uma marca
Poeira de estrada
Sem querer saber o porquê
Tenho lugares
Tenho lembranças
E uma vida
que não me deixa morrer.
Postado por Raquel Carvalho às 11:43 0 comentários
terça-feira, 8 de março de 2011
Mon cher...

Me explica a imortalidade do amor
Da carta que chegou tarde
Que nem se quer foi aberta
Me explica, mon cher!
A imortalidade nossa da sua música
Da minha poesia
Me explica a saudade...
Do amor que não acaba com o tempo
E o quê seria o tempo
Se as palavras chegariam de qualquer jeito
Às três da madrugada
E aquele violão desafinado
Seus olhos brilhando
junto aos meus
Pedindo para ficar, partindo...
E sempre foi assim e eterno
Estivemos sempre um no coração do outro
Sempre, imortalmente
Mas... não seriamos nós dois
Se não nos perdéssemos mais uma vez
E na música...
E na poesia...
Às três da manhã... mon cher...
Em qualquer intervalo de sonho
Em qualquer relógio do tempo
Ainda sou capaz de te ouvir cantar...
Love me tender,
Love me sweet,
Never let me go.
You have made my life complete,
And I love you so.
Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' I love you,
And I always will.
Love me tender,
Love me long,
Take me to your heart.
For it's there that I belong,
And we'll never part.
Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' I love you,
And I always will.
Love me tender,
Love me dear,
Tell me you are mine.
I'll be yours through all the years,
Till the end of time.
Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin' I love you,
And I always will.
Postado por Raquel Carvalho às 19:27 0 comentários
domingo, 30 de janeiro de 2011
Até parece que te amo

Lo que tal vez quisiera decirte en este momento
Tantas cosas
que me las como
Y no me salen
Nada escribo
Nada podia sentir
Pero siento
Te siento
Me gustas
Sé cuando me piensas
Porque mi corazón
Siente algo de saudade
Y se dispersa
A momentos nuestros
Que me gustaria olvidar
De todos los olvidos
Que los necesito tirar por la ventana
Quería que no hubiese
Esa distancia que no hay
Porque de echo, mi vida
Jamás hubo
A veces me confunde lo todo
Y silencio
Y mis versos me salen así
Callados
Hasta parece que te quiero
aún
Siempre
Pero... no... jamás
...
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Para não dizer que não falei... do sorriso mais lindo que amei...

Eu fui apagando os versos
Toda a poesia
Fechei o livro por achar que
53 anos, 9 meses e 4 semanas
Fosse tempo demais...
Não que o amor não fosse suficiente
Mas já não podia acreditar
Que estaria na próxima esquina
Me vendo atravessar a rua...
E fui apagando a letra à caneta
As linhas de suas mãos
O contorno da sua boca
A luz dos seus olhos
A doçura da sua voz roquinha
O abraço... deixara de existir a muito custo...
Todas as lembranças
O fim de todas as tardes
O seu lugar preferido na biblioteca
A parada de ônibus
O fim da viagem...
O primeiro beijo
A primeira vez que vi e amei seus olhos
A folha foi ficando em branco
E o meu coração sem bater
Não que esteja me despedindo
Mas não sei o que fazer com esse silêncio
que de repente tragou o fim do poema...
Postado por Raquel Carvalho às 16:32 0 comentários
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Começo de tudo

Não, ainda não me redimi de mim!
E a viagem já começou, e eu nem sabia
Não fiz as malas
Não entrei em nenhum trem
Navio
Nem escrevi cartas e um ponto
Um mundo
Solícito
Apenas flutuo
Levito
Sinto
E sempre tem um quadro de Magritte
Para traduzir o meu estado de espírito
Na viagem
Em navio de tempestade
E as forças dos ventos são inenarráveis
Quase fictícias
Desconcertantes
Mudam sempre o horizonte dos meus olhos
Do poente
Da certeza de que uma carta já não basta
E os teus olhares
Não se encontram
No meu escrever-me
Na minha constelação de estrelas
No amanhecer de meus porquês
Onde devo segurar-me no navio-tempestade?
Fruto das mentiras que as minhas mãos teimavam em acolher...
Libertar-me-ei
Do ponto final
Do mar aberto em sal
Da paisagem que me sorria o teu sorriso de lua
Do quadro sufocante de Magritte...
Postado por Raquel Carvalho às 06:56 0 comentários
