segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ditirambos...


















Eu sou Dionísio!
Deixa-me...
Conduzir-te-ei pelos caminhos do meu vinho
Vem...
Sofoquem-me com os seus porquês inusitados, Senhores
Com o meu teatro
Com as minhas uvas
O que serei
Quando não sou nada
Ou nada do que penso
Nada somos quando não estamos
Nem aqui
Nem no universo que contemplo do meu silêncio
Sou?
Somos?
Seremos?
Indaga-me!
Questiona-se!
Serei o jovem Wert
Ou Cervantes, ou Quijote
Emma?
Madame Bovary sou eu!
Ou são eles?
Somos todos um
Nenhum daqueles
Que não se olham
Que não se enxergam
Que me veem e querem ser
Mas quando não sou eu
Sou ainda mais você
Eu sou ópera
Sou Carmen
Capitulina, com olhos de cigana obliqua
Vem,
Conduzem-me, Senhores!
Tenho muchos labirintos...
Onde está Ícaro
Beethoven...
Tenho muitos mitos
Fantasmas
Pontes
E todos deixam de ser
Eu me transformam
Metamorfoseando-me
Kafkamente...
Caminhos que convergem em um ponto
Porque eu sou poesia
Sou teatro
Eu sou Dionísio, meus caros Senhores!
Porque Hamlet somos todos...

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