Ele acordou estranho. Não sabia bem ao certo porque veio, nem a que veio, somente existia. Estava ali, no meio da sala, um pouco sonolento, já não bocejava. Foi até a varanda, e olhou o mar até se confundir como as próprias ondas.
Estava confuso, porém calmo, e me perguntou uma resposta óbvia: Eu tenho ideias pequenas? E eu o contestei sorrindo: nós temos janelas.
Talvez por não saber separar a poesia das coisas e de pensar que não estou longe, embaço a vidraça. Consigo contemplá-lo com contentamento e vê-lo caminhando, passando por mim, ao alcance de minhas mãos. Sua necessidade antropofágica me deixa perplexa.
Mas podia falar que ainda sinto a marca das unhas cravadas na pele e a gargalhada profunda. Achei por bem calar, porque no segundo que tu te fundes com o mar, eu sou o veleiro ao longe e uma sensação de silêncio...
Por instantes, seus olhos corroem a fechadura e as grades, mostrando-me duas realidades distintas, a realidade minha e, a realidade das coisas.
Quando os seus olhos encontram um pouco de paz, uma calmaria invade a casa... Tenho que trabalhar, pensa ele.
E não acha nada de interessante, não se concentra. Ver o mar, mas uma vez.
Ela corre de um lado para o outro. Gosta de andar a pé. Tem cabelos lisos passando um pouco dos ombros, um sorriso fácil. Adora Neruda, devora Drummond e Bandeira com uma voracidade impressionate.
Ele caminhava com ela, pensava com ela e sentiam juntos algo. Sorrindo atravessava rua. O Sol era sufocante, com a saudade e o medo, de que mesmo? Não eram um casal de fato. Pelo menos eu acho. Ou achava que não era bem assim. Ele tinha a necessidade do toque. Ela ao contrario, podia sentir chegar e partir quando quisesse porque fazia do amor algo imenso. Era tão denso que podia tocar com os dedos e guardá-lo do peito.
Quando janelas, pensava ela.
Cuántas ventanas, ele...
E o nosso livro, perguntava ela. Está pendente, respondia ele. E como estou com muita vontade de escrever, sabe, resolvi ir adiantado alguma coisa. Ele daquele jeito dele, de quando não concorda comigo, meio menino sentido, meio espanhol diz com um certo enfado, "mas a historia não é mais só sua. Preciso dizer que ainda quero escrevê-la e por que não deixa ..." Porque acho que ainda posso amá-lo, ou pelo menos posso deixar que escrevamos juntos, mas não tenho mais certeza de nada, e eu quero que saiba...
PARTE II
Do quê mesmo? Cierro tus ventanas, abro minhas janelas... Resolvi continuar a história, por não poder por um ponto final. Não queria admitir para mim mesmo que seria possível continuar sem ti, até posso. Mas não vou querer. Eu me conheço. Devoro-me em versos. Hoje, 4 de maio de 20011 -até parece un século. Pensei, senti tanto a aua falta, escutei as músicas e voltei a escrever o livro. É já deu para perceber que estou com saudade, mas não é só isso. É algo mais... Procuro não pensar. Me cansei o dia todo, trabalhei exaustivamente para não pensar. Resolvi não fechar janelas, escancará-las para que o meu pensamento chegue até você aos berros.
Ainda não sei bem o que quero, se quero, sei lá. Escrevo, vivo e o meu coração clama, quer desesperandamente, mente, escrevo-me. Este era livro que queria, ele começa a surgir. Há sempre um terreno fértil onde podemos plantar sonhos, cultivar janelas e olhar ma direção de algo. Quanta coisa indefinida, indefinimos, empacamos.
Dois teimosos, isso somos. Também a vida não facilitou, mas nos enamorariamos de qualquer forma. Eu te amaria de qualquer jeito é fato. Eu te amo, amo, amo tanto que enfim, reescrevo-nos. Invento-nos sem cor alguma, sem forma alguma, em essencia, sobremanera. Sem querer dizer qualquer palavra, o silencio é o pior dos castigos, por isso estou escrevendo em português, só por isso. Escribo como me gusta liviano, llenos de signos igrávidos y sutiles en los cuales están llenos de caminos posibles hacia mi alma. Verdaderos laberintos, seguro... Te deseo algo mar que todavía no lo sé... yo que sé! Como é que eu posso saber, até posso... posso...





