terça-feira, 18 de maio de 2010

Minhas janelas, sus ventanas















Ele acordou estranho. Não sabia bem ao certo porque veio, nem a que veio, somente existia. Estava ali, no meio da sala, um pouco sonolento, já não bocejava. Foi até a varanda, e olhou o mar até se confundir como as próprias ondas.

Estava confuso, porém calmo, e me perguntou uma resposta óbvia: Eu tenho ideias pequenas? E eu o contestei sorrindo: nós temos janelas.

Talvez por não saber separar a poesia das coisas e de pensar que não estou longe, embaço a vidraça. Consigo contemplá-lo com contentamento e vê-lo caminhando, passando por mim, ao alcance de minhas mãos. Sua necessidade antropofágica me deixa perplexa.

Mas podia falar que ainda sinto a marca das unhas cravadas na pele e a gargalhada profunda. Achei por bem calar, porque no segundo que tu te fundes com o mar, eu sou o veleiro ao longe e uma sensação de silêncio...

Por instantes, seus olhos corroem a fechadura e as grades, mostrando-me duas realidades distintas, a realidade minha e, a realidade das coisas.

Quando os seus olhos encontram um pouco de paz, uma calmaria invade a casa... Tenho que trabalhar, pensa ele.

E não acha nada de interessante, não se concentra. Ver o mar, mas uma vez.

Ela corre de um lado para o outro. Gosta de andar a pé. Tem cabelos lisos passando um pouco dos ombros, um sorriso fácil. Adora Neruda, devora Drummond e Bandeira com uma voracidade impressionate.

Ele caminhava com ela, pensava com ela e sentiam juntos algo. Sorrindo atravessava rua. O Sol era sufocante, com a saudade e o medo, de que mesmo? Não eram um casal de fato. Pelo menos eu acho. Ou achava que não era bem assim. Ele tinha a necessidade do toque. Ela ao contrario, podia sentir chegar e partir quando quisesse porque fazia do amor algo imenso. Era tão denso que podia tocar com os dedos e guardá-lo do peito.

Quando janelas, pensava ela.

Cuántas ventanas, ele...

E o nosso livro, perguntava ela. Está pendente, respondia ele. E como estou com muita vontade de escrever, sabe, resolvi ir adiantado alguma coisa. Ele daquele jeito dele, de quando não concorda comigo, meio menino sentido, meio espanhol diz com um certo enfado, "mas a historia não é mais só sua. Preciso dizer que ainda quero escrevê-la e por que não deixa ..." Porque acho que ainda posso amá-lo, ou pelo menos posso deixar que escrevamos juntos, mas não tenho mais certeza de nada, e eu quero que saiba...



PARTE II

Do quê mesmo? Cierro tus ventanas, abro minhas janelas... Resolvi continuar a história, por não poder por um ponto final. Não queria admitir para mim mesmo que seria possível continuar sem ti, até posso. Mas não vou querer. Eu me conheço. Devoro-me em versos. Hoje, 4 de maio de 20011 -até parece un século. Pensei, senti tanto a aua falta, escutei as músicas e voltei a escrever o livro. É já deu para perceber que estou com saudade, mas não é só isso. É algo mais... Procuro não pensar. Me cansei o dia todo, trabalhei exaustivamente para não pensar. Resolvi não fechar janelas, escancará-las para que o meu pensamento chegue até você aos berros.
Ainda não sei bem o que quero, se quero, sei lá. Escrevo, vivo e o meu coração clama, quer desesperandamente, mente, escrevo-me. Este era livro que queria, ele começa a surgir. Há sempre um terreno fértil onde podemos plantar sonhos, cultivar janelas e olhar ma direção de algo. Quanta coisa indefinida, indefinimos, empacamos.
Dois teimosos, isso somos. Também a vida não facilitou, mas nos enamorariamos de qualquer forma. Eu te amaria de qualquer jeito é fato. Eu te amo, amo, amo tanto que enfim, reescrevo-nos. Invento-nos sem cor alguma, sem forma alguma, em essencia, sobremanera. Sem querer dizer qualquer palavra, o silencio é o pior dos castigos, por isso estou escrevendo em português, só por isso. Escribo como me gusta liviano, llenos de signos igrávidos y sutiles en los cuales están llenos de caminos posibles hacia mi alma. Verdaderos laberintos, seguro... Te deseo algo mar que todavía no lo sé... yo que sé! Como é que eu posso saber, até posso... posso...

Não era bem assim...













Não consigo gritar
levar as mãos até o rosto
Pedir que saia
Dizer que quero ficar sozinha, por favor...
Olhar qualquer direção
Nada se encaixa em nada
Não há foco
Não era bem assim
As palavras entalam
Ficam pelo meio da garganta
Pelo meio caminho
Entre o limite do absurdo e do vazio
Não havia sentido
E se havia, não era isso
Era de um outro jeito
Com outros olhos
Como palavras carinhosas podem ser dilacerantes?
Não, Não quero!
Não era bem assim!
Era de um outro modo
E agora o mais do mesmo?
O mais de qualquer coisa que não queria de novo
E de novo
E de novo
Não era para ser assim
Juro que não acreditei quando ouvi
Ainda não digeri
Ainda não me poupei
Nem me protegi
Nem mesmo respondi
O que é isso?
O que somos?
O que é você?
Dímelo!
Se era muito mais
Eu te quis tanto para mim
Que te permiti ser
Tudo aquilo que sonhei
E nessas fracassadas palavras de medo
Pude vê-lo covarde
E me acovardei também
Meio boquiaberta
Eu podia qualquer coisa
Agora, eu já nem sei...

sábado, 15 de maio de 2010

Meus














Rasga-me a minha carne
Com unhas
Com palavras
Com alguma coisa de sonho
De torpor
Com mentiras estúpidas
Comigo mesma
Rasga-me
Dilacera-me
E me pede que não grite
Que silencie
Que não verse
E então,
O beijo azeada a vida
Por um momento
As cores de seus olhos
Sem brilho ou apatia
Me ver por debaixo da pele
Por cima do mundo
E o que era o mundo?
E o que era tudo?
Não encontro uma razão lógica
Em seus devaneios tolos e pueris
Havia música
Poesia
Ou talvez um pouco de surdez
Em meio ao caos desses porquês
Que não são meus
Nem os quero
Porque ser de outra forma
Amar de outra forma que não seja essa

Eu não sei
Não doar-me
Como para ti me doei
Talvez não o amaria de novo
E não o permitisse que chegasse tão perto do meu coração
[outra vez
E eu que não queria que fosse
Agora não sei
Como deixar-lo de ser...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Assim eu vou...













Assim eu parto
partido
Todas as partes dos meus sentidos
Meu tato
Meu olfato
Minha língua
Meus ouvidos
Não me resta
Quase nada de mim
Do que foi seu
Do meu corpo apaixonado
De todos aqueles sonhos
Que andei te falando
E de fato
Não acordaram
Na manhã de praia que te escrevi daqui
De um coração que aprendeu
A amar, esquecer
E a partir
Se partindo todo
Talvez dessa vez
Tenha desabrigado
Os pés
Mas restou o que sobrou
Daquilo que foi construído
Para para ser caminho
Assim, eu vou...
Aqui vou eeeeeu...

domingo, 2 de maio de 2010

Ainda estou prestes a sair...















Eu ainda não digeri
Está tudo assim sujo
Sem moveis
Não me sinto mais aqui
mas não deixo de fazer parte
Ele está quando toca piano
E o piano não existe
O não ouvir
Quando se sentir
É pior do que o vir
Quando não se pertence
E não se escuta
Sons
Gemidos
Era ele chegando já partindo
Quando falava
O Não silêncio
O incerto
Aquilo que não se entende
O meu não verso
O meu absurdo
E fica a dúvida
Os passos
Cabelos
Os dedos na parede
O lúdico
O real fantástico
O inconsequente
O luar
A madrugada
Ele surgindo na rua
Não!
Passou!
Acabou!
Já posso abrir os olhos
Sair daqui sem qualquer culpa
Deixa a casa suja mesmo
Deixa de lado o medo
Agora a sua vida é sua...
Está prestes a sair...