terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Algures


















Os meus pés e o meu guarda-chuva
Trouxeram-me até aqui...
Haja paciência
Cerimônia
Ousadia
Numa corda bamba
Atada até a lua
De meus olhos
Em uma constante
Do que sei
Nada ficou
E permanece
O lugar do não ser
Quando o existir subsistindo
Pede passagem
Algures
Saudade
A imagem contemplativa de sentir

[O estar
Ganhando ritmo
Forma de gente
Respirando
Pulsando
O momento vida
E o albergue tempo
Em um espaço qualquer do indefinível
Os olhos seus em alguma rota
E os meus, voltados para dentro do meu ser que ancora
Nesses versos vivos
De minhas andanças
Temperanças...
Uma pausa,
Um suspiro
Uma dádiva
-Como o céu está lindamente meu!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Janela

Havia um passado aqui
Entre nós dois, uma janela
Uma passagem secreta
Uma cordilheira
O seu olhar distante
De alguém que contempla
O mar
O sol
O infinito
Eu, caminho
Chego de surpresa
Calma
Lívida
Contando histórias
Fazendo-te rir
Sempre tão sério
Sempre pensando
Há um passado aqui
Que termina e ainda não passa
Que se apressa
Que espera
Que nos aguarda
Sendo eu inconstante
Sendo tu equilibrio
Por hora, caminho
Por hora, observas
Para que um dia sejamos janelas
Paragem
Barco a vela
Aquarela
O amor maior do mundo
E o mundo
Sendo muito mais além de horizontes...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Seguindo...













Seguindo...
Sacudindo a poeira
De novo a caminho
levo comigo o que cabe na mochila
O essencial aos olhos
O invisível
Já não preparo mais café cedinho
Quis mudar de casa
De coração
Mas passou, menos o café...
Pés na estrada
Seguindo a rota
O meu destino
Caminho de encontro ao meu acaso
Estou aprendendo a cada passo
Que sou do tamanho do meu erro
Que sou como sou e isso me basta
Para querer ser aquilo que busco
Não quero atalhos
Dédalos infinitos ao meu redor
O porquê de tudo
O porquê de seus olhos mudando o rumo
Sendo bússola
Música

[A poesia de meus sonhos
Podiam ser até o mar
Se o mar eles quisessem
[ser-me-ei
Podiam ser qualquer coisa
Qualquer coisa
Desse horizonte que avisto de longe
Como se fosse tão perto
Tão possível de ser...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Viajero eterno...













Caminando sin cansacio alguno
En el alma
llevo conmigo un equipaje sencillo
Algunas fotografías borrosas

amarillas
Tal vez lo más importante
De lo que resultó de toda una vida
De viajero eterno
Con ganas de camino
Con ojos nostalgicos
Incansables...
Resistente a la fadiga
De día traz otro
Echando de menos
Las noches con estrellas
Y llenas de los ojos tuyos
Un vals
Mi piano
Los besos de amor con los que soñé
Y todavía siguieron desvelando
Suenos
Alba
Peces en la mar de los sentimientos míos
Cariño, quieiro que sepas una cosa
Mientras viva yo,
Camiñaré hacia ti
Por ti
Desde mis pensamientos
Hasta las líneas de mis versos todos
Todo, todo de mí
[fuiste
Lo eterno de mis pasos
Bajo la brevedad del tiempo...
Te quiero mucho
Te quise siempre

Pelo caminho


















Parei para descansar o cansaço do corpo
Parei para pensar
Traçar uma rota
Recontar os passos
Vi ainda mais caminho
Pessoas indiferentes aos meus pés
Pessoas que passavam pela vida sem saber viver
Simplesmente atravessavam a rua
Com olhos vagos
Distantes
Sobrevivendo do lixo
Outras, enclausuradas em escritórios
Entediadas
Sem sonhos e ideologias
Algumas chegavam em casa sem perceber
Que seus filhos cresciam
Em muitas faltavam os olhos nos olhos
Palavras sinceras
Apertos de mãos
Olhar de "você está cada vez mais linda..."
Numa rua vazia às dez horas da noite
Reorientava os meus olhos
A minha forma de ver as coisas de um ponto estratégico
Lá do alto do meu coração
Olhos nos caminhos tão cheios de desertos
-Vamos lá, escreva, sinta, ame!
Ouvi de uma voz perdida em mim
-Vamos lá, encher esse mundo lindo de amor!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O que sinto...















Ao olhá-lo
Sinto que algo me invade a alma de calma
São teus olhos que em algum lugar
Se perdem e se acham
Em uma dimensão qualquer
Onde me encontro
Cheia de um contentamento muito meu
Meu peito em festa
Meus olhos serenam o pôr-do-sol de candura
Irradiando luz preguiçosa pelo céu que elegi para ser
O começo da noite que traz paz
Observo a tranquilidade crepuscular
E ausente de mim
Busco o que me fez feliz
Eu te amei tanto
Eu te quis tanto
Meu Deus, como eras lindo!
Eras chuva
Eras saudade de tempo bom
Brisa da manhã
Domingo com mar e Sol
Paisagem contemplativa de meus olhos

[Já cansados
que não cansam nunca
Como ser assim cheia de tanto tempo
Mas o que passa a ser o tempo desde de então?
Sol se pondo?
Céu de estrelas?
Dia que amanhece e depois dorme?
Que nome tem o contemplar-te?
Já que sinto
Uma imensa vontade de gritá-lo
Meu Deus, como eu ainda o amo...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Persona



















Não quero que veja os meus olhos
Que os cubra de lua
Não quero que tenham a profundidade da máscara
Não quero que solte os meus cabelos
Que veja os meus seios
Que diga te amo enquanto durmo
Não quero que me leia
Que ouse conduzir-me aos seus olhos
Por caminhos que chegaria sozinha
Não pense que sou sua
Não sei como seria o fim do mundo
Não pense que minhas costas são o que há de mais sensual em mim
Não pense em minhas pernas
Na minha boca sorrindo
Na minha voz sussurrando-te...
Não quero que me veja assim!
Que não me veja
Naquilo em que acredito ser
Porque já não me encontro em imagens embaçadas
Em corpos que comungam carnes
Salivas
Sal
E insensíveis toques de dedos frios
Não gosto da superfície das coisas
Da superficialidade da pele
Na verdade, eu realmente não quero
Que me percas assim...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Às vezes eu...
















Às vezes sou como a chuva de sábado para domingo
Cheia de saudades sua
E a rua
Acorda com cheiro de terra molhada
Cheia de calçadas e pegadas

[Percorro
O mesmo caminho
E ainda acho alguma coisa que não foi dita
Guardo no bolso
Sigo sem poder voltar para casa
Sem reler os versos
Porque às vezes não sei o que dizer da palavra madrugada
Da palavra Frio
De versos cansados
Da palavra nostalgia
De tudo que levo comigo
Junto ao corpo
Às vezes eu
Às vezes coisa alguma de mim
Em meus olhos
Ausência de ponte
De reflexo
Onde está o belo?
O que é de meus olhos
O que foi meu quando era você
O que fazer do eterno amor que nunca acaba
Às vezes eu não sei mais nada...

Kokeshi
















Estava chovendo muito. Começou de repente, quando eu voltava para o trabalho a algumas quadras dali. Tentei abrigar-me sob a laje de uma loja que vendia coisas vindas do oriente. Na vitrine, havia um "bonequinha japonesa" que chamou minha atenção. Os olhos puxados, os lábios, cabelos... Pude lembrar dela carregando livros contra o peito, caminhando para mim, para que pudesse vê-la passar. Como se tivesse saindo de um poema qualquer de Neruda no fim da tarde. Por instantes pensei no que gostaria de dizer a ela, no que gostaria de ouvir depois de tanto tempo, e a pequena gueixinha me olhava atenta com olhos tímidos, de um silêncio contemplativo. Talvez já me esquecera, se é que me amou um dia. O que sentia diante dela, com aquele questionamento de fato, nostalgia? Não sei... Nunca conseguimos nomear aquilo que sentíamos. O que era o olhar para ela, vindo em minha direção, carregando seus livros, sendo qualquer poema de amor que Neruda foi capaz de escrever?
Assim, como se me entendesse, a kokeshi dialogou com o meu coração:
-Perdoa-me quando disse que o amava...
Meio assustado continuei olhando-a.
- Eu ainda...
- Eu nunca...
- Eu sempre...
E as suas frases nunca sendo finalizadas, como as minhas "Eu não consigo entender o porquê de não..."

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pensando bem...















Quero um céu de estrelas para alegrar o meu dia de mar
Quero um bote
Uma ponte
Um bom livro
Carlos Drummond de Andrade
Quero os meus pés descalços
Um caminho sem atalhos e com pedras
Seus olhos crepusculares
no "finalzinho da tarde"
Quero o simples das coisas
Os seus versos em tudo
E quando dormir
Não peço
O mesmo pedido de sempre

[quero
uma vida sempre minha
Cheia de algas-marinhas
Na minha praia deserta
O meu não-lugar no mundo.

Ainda não sei












De meus dias
Sempre tão iguais
Ainda não sei
Uma forma segura de deixar o meu coração partir...
Me desespero
quando ele vai até a esquina
Já vou correndo buscá-lo
Não sou eu mesma
Sem nós dois formando um só...
Simplesmente sinto
Uma alegria invadindo o meu peito de mar
E um abraço de brisa
Em meus moinhos de incertezas

[Coesas
Sonhos e versos ao vento
Irradiando o amor maior do mundo
Pelos quatro cantos do planeta
O meu coração é partido
Mas ainda não sei
Por quanto tempo
Conseguirei guardá-lo aqui comigo...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sem palavras por hoje












O que há de poético na chuva
Em meus olhos quando a observo
E te levo dali
Há algum lugar
Que percorres em teu silêncio
Na minha pele
Em meus beijos sofreando a noite
Em teus olhos no horizonte
De minhas mãos
Tentando se proteger do frio
Tateando versos
O que há de poético nas palavras que calam
Que já não me traduzem
De cor e salteado...
Já não sou janela
Nuvem
Medo
Amor para todo o sempre
Passado
Sou talvez um passo à frente
Esperando a chuva, passando
Mas sem palavras por hoje...

Ano 2010














O ano de 2010 amanheceu nublado
Não pude resistir ao impulso
De pensar em seus olhos

[por acaso
era noite
E eu estava na praia
Chegou cheio de expectativas
E o meu coração o recebeu com festa
Ao sabor da areia molhada
De maresia
Nessa noite,
eu estava sob um céu com poucas estrelas
Uma lua cheia
Algazarras
Champagne
Fogos
E gritei bem forte "bem-vindo"!