
Ponto
Rima
Ponto
Verso
Ponto
Rima
Ponto
Verso
Concreto
Todas as teclas do piano
Uníssono
Com o meu grito:
ICH HASSE UND LIEBE DICH
MIT ALLER KRALT MEINES HERZENS!
Saio correndo
Descendo todas as escadas possíveis
Respiro o ar rarefeito
De um rigorso inverno
Não gosto de Natal
Dessa Cidade
Do piano!!!
Não quero mais vê-lo.
Suas mãos me dão asco
Sua boca me dá asco
Todos os pianos do mundo me dão asco!
Não quero mais vê-los!!!
Mas a alma vazia busca o som melodioso
Que tranquiliza as minhas mãos.
Recomponho-me
Ajeito os cabelos
Refaço o penteado
Volto a mim...
Sento-me ao piano
Recomeço o acorde
Às vezes preferia não ver mais as coisas que amo
Porque amo demais!
E diante do piano
Sucumbo
Vencida...
Ponto
Rima
verso
Ponto
Rima
Ponto
(...)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sopros
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Ditirambos...

Eu sou Dionísio!
Deixa-me...
Conduzir-te-ei pelos caminhos do meu vinho
Vem...
Sofoquem-me com os seus porquês inusitados, Senhores
Com o meu teatro
Com as minhas uvas
O que serei
Quando não sou nada
Ou nada do que penso
Nada somos quando não estamos
Nem aqui
Nem no universo que contemplo do meu silêncio
Sou?
Somos?
Seremos?
Indaga-me!
Questiona-se!
Serei o jovem Wert
Ou Cervantes, ou Quijote
Emma?
Madame Bovary sou eu!
Ou são eles?
Somos todos um
Nenhum daqueles
Que não se olham
Que não se enxergam
Que me veem e querem ser
Mas quando não sou eu
Sou ainda mais você
Eu sou ópera
Sou Carmen
Capitulina, com olhos de cigana obliqua
Vem,
Conduzem-me, Senhores!
Tenho muchos labirintos...
Onde está Ícaro
Beethoven...
Tenho muitos mitos
Fantasmas
Pontes
E todos deixam de ser
Eu me transformam
Metamorfoseando-me
Kafkamente...
Caminhos que convergem em um ponto
Porque eu sou poesia
Sou teatro
Eu sou Dionísio, meus caros Senhores!
Porque Hamlet somos todos...
Postado por Raquel Carvalho às 06:47 0 comentários
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Remodimientos

Refletido
En el espejo duramente frío
El cuerpo
La piel
Mis cabellos
Mirada desazonada
Calles desencontradas
Direcciones rotas
Había un corazón
Allí
Entrecortado
Huellas
Sombras
Carne, solamente carne
Uñas
Ventanas
Mías, solamente mías
Mirándome
Eclipsándome
Yo siendo dos
O ninguna al mismo tiempo
Todo a la vez
A la una
A la mañana
Pesados castillos destrozándome
Olas
Azotes
Dientes
Salivas
Manos crudas
Evaporándome
Enervándome
Sábanas
Sabanas
Desconstrucion del amor
Del poniente
De caminos
Desertificación de mi perfume
De mi esencia
De mi ser cuando ama
Vestirme?
Dormirme?
Silencio
Cinismos
Sarástico
Dolor inmenso de tus ojos en mi pecho
Porque no pude... evitar...
Grito
Hielo
Marcas... muchas... infinitas...
Postado por Raquel Carvalho às 11:03 0 comentários
terça-feira, 30 de novembro de 2010
saudade

É só saudade...
Ainda não passou, nem vai passar
Onde posso encontrar
Algum relógio
que pare
Ou passe de vez
Sem tic-tac
Voltando a ser indiferente
Talvez seria
Ou não era mais
Nem menos
E não haveria
Tanta poesia
Quando repassa
Momentos
lugares
vazio
Por que não acaba?
Por que não deixa de ser saudade?
Amor da minha vida
De uma vida inteira
...
Postado por Raquel Carvalho às 05:07 0 comentários
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Ponto

Amei-o até certo ponto
Cheguei!
Desci a todas as escadas subterrâneas
De todos os meus porquês
A ponto de não esquecer o dia o seu aniversário
9 de setembro
E hoje já são quatro...
E ainda não conseguir dormir bem
Nem fechar os olhos
Nem achar nada
Quando o que se procura
Quase sempre é um ponto
Para por um fim nas coisas
Que não têm um fim
Seria eu a medida do meu tudo
Algo contínuo
Dinâmico
Infinito
Ser intenso
Incansável
Que se metamorfoseia
Em sentidos
Dor
Amor
Saudade
Cheiro
Tato
Pele
Coração batendo forte
Transpirando
Suando
Buscando-te
Esperando-me
Naquele pôr-de-sol ali
Na noite que chega
No dia que vai embora
E que te leva em partes de mim...
Em parte,
Partes
Angoro...
Postado por Raquel Carvalho às 08:21 0 comentários
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Castillos

Eu
Que sempre quis ser
E muitas vezes busquei
Não adianta mais falar em livros
Músicas
Filmes
No real que se constroi
Sem toques
Nem cheiro
Sem manhãs capazes de amanecer
E noites inteiras sem dormir
Desconexo
A vida que não imita o verso
Perco de novo
Eu
Que sempre quis
Não sentir saudade
Fecho a janela
Apago todas as luzes
Quando com olhos fechados
Acho
O que não tinha certeza
Mas palavras são capazes de destruir castelos
Castillos
Isso sempre soube
Hoje, ao abrir a janela
Vi um mundo cheio de sol
Mesmo assim peguei o meu guarda-chuva
Apaguei os seus olhos
Os e-mails
E ontem fiz café de novo...
Postado por Raquel Carvalho às 07:43 0 comentários
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Borboletas

A borboleta
Descama várias camadas de si mesmo
E vai surgindo tímida
Lívida
Livre
Sana
Bate as asas
Sente o Sol
O néctar das flores
E o sabor do vento
Sem casulo
Sem mais palavras sobre aquele assunto
Talvez porque nunca perdi a esperença de te ver
Na próxima esquina
Ou vendo-me atravessar a rua
Minhas melhores lembranças
Por muito tempo o quis para mim
Como se não fosse parte do meu mundo...
Quantos muros escritos: Te amo
Já não existe mais em mim...
Postado por Raquel Carvalho às 05:58 0 comentários
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Luz dos meus olhos

Andando
Não parando
E a vida se apresenta a mim
Cheia de luz radiante
E Sol da manhã
Não há um só osso do meu pé
que não doa
E aonde estarias
No meio disso tudo
No centro do mundo?
No meio do quê?
Junto aos meus pés?
Da minha intensa vontade de viver
De achar
De esquecer coisas
Que não esqueço nunca
Mas a vida é bem mais que além
De tê-lo comigo
Quanto me custou para entender, meu bem
Que independente de qualquer coisa
Acontecesse o que acontecesse
Ia continuar sonhando contigo
Luz dos meus olhos,
O meu amor preferido
Não parando
Encontro-me
Sem esconder os meus pés
Dos meus olhos
Já consigo dormir melhor
E não sentir
A distância das coisas e o peso do tempo
Na saudade infinita do seu olhar que sorrir
Não sentindo menos saudade por isso
Simplismente, caminho
Em uma outra forma de senti-lo...
Postado por Raquel Carvalho às 06:49 0 comentários
terça-feira, 18 de maio de 2010
Minhas janelas, sus ventanas
Ele acordou estranho. Não sabia bem ao certo porque veio, nem a que veio, somente existia. Estava ali, no meio da sala, um pouco sonolento, já não bocejava. Foi até a varanda, e olhou o mar até se confundir como as próprias ondas.
Estava confuso, porém calmo, e me perguntou uma resposta óbvia: Eu tenho ideias pequenas? E eu o contestei sorrindo: nós temos janelas.
Talvez por não saber separar a poesia das coisas e de pensar que não estou longe, embaço a vidraça. Consigo contemplá-lo com contentamento e vê-lo caminhando, passando por mim, ao alcance de minhas mãos. Sua necessidade antropofágica me deixa perplexa.
Mas podia falar que ainda sinto a marca das unhas cravadas na pele e a gargalhada profunda. Achei por bem calar, porque no segundo que tu te fundes com o mar, eu sou o veleiro ao longe e uma sensação de silêncio...
Por instantes, seus olhos corroem a fechadura e as grades, mostrando-me duas realidades distintas, a realidade minha e, a realidade das coisas.
Quando os seus olhos encontram um pouco de paz, uma calmaria invade a casa... Tenho que trabalhar, pensa ele.
E não acha nada de interessante, não se concentra. Ver o mar, mas uma vez.
Ela corre de um lado para o outro. Gosta de andar a pé. Tem cabelos lisos passando um pouco dos ombros, um sorriso fácil. Adora Neruda, devora Drummond e Bandeira com uma voracidade impressionate.
Ele caminhava com ela, pensava com ela e sentiam juntos algo. Sorrindo atravessava rua. O Sol era sufocante, com a saudade e o medo, de que mesmo? Não eram um casal de fato. Pelo menos eu acho. Ou achava que não era bem assim. Ele tinha a necessidade do toque. Ela ao contrario, podia sentir chegar e partir quando quisesse porque fazia do amor algo imenso. Era tão denso que podia tocar com os dedos e guardá-lo do peito.
Quando janelas, pensava ela.
Cuántas ventanas, ele...
E o nosso livro, perguntava ela. Está pendente, respondia ele. E como estou com muita vontade de escrever, sabe, resolvi ir adiantado alguma coisa. Ele daquele jeito dele, de quando não concorda comigo, meio menino sentido, meio espanhol diz com um certo enfado, "mas a historia não é mais só sua. Preciso dizer que ainda quero escrevê-la e por que não deixa ..." Porque acho que ainda posso amá-lo, ou pelo menos posso deixar que escrevamos juntos, mas não tenho mais certeza de nada, e eu quero que saiba...
PARTE II
Do quê mesmo? Cierro tus ventanas, abro minhas janelas... Resolvi continuar a história, por não poder por um ponto final. Não queria admitir para mim mesmo que seria possível continuar sem ti, até posso. Mas não vou querer. Eu me conheço. Devoro-me em versos. Hoje, 4 de maio de 20011 -até parece un século. Pensei, senti tanto a aua falta, escutei as músicas e voltei a escrever o livro. É já deu para perceber que estou com saudade, mas não é só isso. É algo mais... Procuro não pensar. Me cansei o dia todo, trabalhei exaustivamente para não pensar. Resolvi não fechar janelas, escancará-las para que o meu pensamento chegue até você aos berros.
Ainda não sei bem o que quero, se quero, sei lá. Escrevo, vivo e o meu coração clama, quer desesperandamente, mente, escrevo-me. Este era livro que queria, ele começa a surgir. Há sempre um terreno fértil onde podemos plantar sonhos, cultivar janelas e olhar ma direção de algo. Quanta coisa indefinida, indefinimos, empacamos.
Dois teimosos, isso somos. Também a vida não facilitou, mas nos enamorariamos de qualquer forma. Eu te amaria de qualquer jeito é fato. Eu te amo, amo, amo tanto que enfim, reescrevo-nos. Invento-nos sem cor alguma, sem forma alguma, em essencia, sobremanera. Sem querer dizer qualquer palavra, o silencio é o pior dos castigos, por isso estou escrevendo em português, só por isso. Escribo como me gusta liviano, llenos de signos igrávidos y sutiles en los cuales están llenos de caminos posibles hacia mi alma. Verdaderos laberintos, seguro... Te deseo algo mar que todavía no lo sé... yo que sé! Como é que eu posso saber, até posso... posso...
Postado por Raquel Carvalho às 19:52 0 comentários
Não era bem assim...

Não consigo gritar
levar as mãos até o rosto
Pedir que saia
Dizer que quero ficar sozinha, por favor...
Olhar qualquer direção
Nada se encaixa em nada
Não há foco
Não era bem assim
As palavras entalam
Ficam pelo meio da garganta
Pelo meio caminho
Entre o limite do absurdo e do vazio
Não havia sentido
E se havia, não era isso
Era de um outro jeito
Com outros olhos
Como palavras carinhosas podem ser dilacerantes?
Não, Não quero!
Não era bem assim!
Era de um outro modo
E agora o mais do mesmo?
O mais de qualquer coisa que não queria de novo
E de novo
E de novo
Não era para ser assim
Juro que não acreditei quando ouvi
Ainda não digeri
Ainda não me poupei
Nem me protegi
Nem mesmo respondi
O que é isso?
O que somos?
O que é você?
Dímelo!
Se era muito mais
Eu te quis tanto para mim
Que te permiti ser
Tudo aquilo que sonhei
E nessas fracassadas palavras de medo
Pude vê-lo covarde
E me acovardei também
Meio boquiaberta
Eu podia qualquer coisa
Agora, eu já nem sei...
Postado por Raquel Carvalho às 10:53 0 comentários
sábado, 15 de maio de 2010
Meus

Rasga-me a minha carne
Com unhas
Com palavras
Com alguma coisa de sonho
De torpor
Com mentiras estúpidas
Comigo mesma
Rasga-me
Dilacera-me
E me pede que não grite
Que silencie
Que não verse
E então,
O beijo azeada a vida
Por um momento
As cores de seus olhos
Sem brilho ou apatia
Me ver por debaixo da pele
Por cima do mundo
E o que era o mundo?
E o que era tudo?
Não encontro uma razão lógica
Em seus devaneios tolos e pueris
Havia música
Poesia
Ou talvez um pouco de surdez
Em meio ao caos desses porquês
Que não são meus
Nem os quero
Porque ser de outra forma
Amar de outra forma que não seja essa
Como para ti me doei
Talvez não o amaria de novo
Agora não sei
Como deixar-lo de ser...
Postado por Raquel Carvalho às 19:15 0 comentários
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Assim eu vou...

Assim eu parto
partido
Todas as partes dos meus sentidos
Meu tato
Meu olfato
Minha língua
Meus ouvidos
Não me resta
Quase nada de mim
Do que foi seu
Do meu corpo apaixonado
De todos aqueles sonhos
Que andei te falando
E de fato
Não acordaram
Na manhã de praia que te escrevi daqui
De um coração que aprendeu
A amar, esquecer
E a partir
Se partindo todo
Talvez dessa vez
Tenha desabrigado
Os pés
Mas restou o que sobrou
Daquilo que foi construído
Para para ser caminho
Assim, eu vou...
Aqui vou eeeeeu...
Postado por Raquel Carvalho às 21:52 0 comentários
domingo, 2 de maio de 2010
Ainda estou prestes a sair...

Eu ainda não digeri
Está tudo assim sujo
Sem moveis
Não me sinto mais aqui
mas não deixo de fazer parte
Ele está quando toca piano
E o piano não existe
O não ouvir
Quando se sentir
É pior do que o vir
Quando não se pertence
E não se escuta
Sons
Gemidos
Era ele chegando já partindo
Quando falava
O Não silêncio
O incerto
Aquilo que não se entende
O meu não verso
O meu absurdo
E fica a dúvida
Os passos
Cabelos
Os dedos na parede
O lúdico
O real fantástico
O inconsequente
O luar
A madrugada
Ele surgindo na rua
Não!
Passou!
Acabou!
Já posso abrir os olhos
Sair daqui sem qualquer culpa
Deixa a casa suja mesmo
Deixa de lado o medo
Agora a sua vida é sua...
Está prestes a sair...
Postado por Raquel Carvalho às 18:16 0 comentários
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Le quiero

Me gustan las cosas simples de la vida
Caminar descalzo
Tomar helado
Hablar cosas en serio
bromeado
Y ya lo sabe eso
Escribir
Amar desmasiadamente
Sentir todo al extreno del sentir
Vivir
Hacer las cosas a mi manera
Y eso intento cambiar
Me gusta la posta de sol
Decir "la mar" al invés de "el mar"
No me gusta dormir
El reloj
En tiempo nuestro de cada día
De cada nada
Me gusta sonreír
Leer a Gabriel García Marquez
Me gusta el oscuro de vez en cuando
Y el silencio también de vez en cuando
Me gustan las manos y los ojos de mi amor
Y de su mirada hacia mí
De una forma mucho particular
Mucho de él
Solamente de él y yo
Y le quiero tanto
que no sé más
lo sé que es distancia
...
Postado por Raquel Carvalho às 20:40 0 comentários
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Pendente

Se eu te der a noite
Minhas mãos em sua nuca
E todas as janelas de minha alma
Será algo novo
Os labirintos do meu ser
Que socorre o caminho do possível
Pelo viés do sonho
Torpor
Umidade
Sons abstratos de saudade
Passos
Passados
Risos travessos
Pele
A sutileza de versos de amor
Suspiros...
Beijos, beijos e beijos
Postado por Raquel Carvalho às 07:35 0 comentários
Não sei

Não sei que cor tem
Os seus olhos
Nos meus olhos
No meu ser
Se é música
Se é mímica
Se somos
Ou se sou
O que seria busca
Sentir
Amanhecer o dia
Saudade
Silêncio
Cheiro
Não sei
Não quero
Não posso
Escrevo...
Postado por Raquel Carvalho às 07:03 0 comentários
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Escadas

Subi e desci escadas
Precipícios
Avistei coisas
Cores diversas
Ilhas do tesouro
Mares incrivelmente de um transparente azul
Por onde fui
Levei do espelho
O mesmo olhar
Aventureiro
Andar por terras que nunca andei
Nessa busca plena pelo intenso dos olhos
Que amei, quando amo
Já não me serve de bússola
O coração que guardei para mim
Vida é estrada
Passos solitários
Pedras e calçadas
Mas quero janelas
Sonho escadas
Viagem de barco a vela
E horizontes
Que confesso quando te escrevo
Postado por Raquel Carvalho às 08:58 0 comentários
sábado, 17 de abril de 2010
Alçapão

Eu fui me despetalando
Virando pó
Cinzas...
Não restou nada
Pedra sobre pedra
Castelos
Pontes
Estradas...
A janela
A porta que ficou na casa
A válvula de escape
O alçapão...
Não, não sairei agora
Estou cansada de tentar
De buscar
De partir sempre
E não chegar nunca
Não, de novo não...
De novo então
E a vida segue...
Postado por Raquel Carvalho às 19:04 0 comentários
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Je pense à toi

A água da chuva corre pela janela
Há rachaduras pelas paredes
Infiltrações
E uma enorme sensação de falta-de-chão...
Ausencia de cantos pela casa
O piano já quase se desamaterializando
Não toca suave
Me despedaça o coração
O que deixar no lugar dele
Quando ele partir...
Será que partirá de fato
E fechará a porta que não fecha?
Sem as fechaduras necessárias
Sem o abraço que aconchega
Acordo várias vezes durante à noite
Em que as estrelas do céu
Dormem sem luz
Meus olhos em algum lugar
Desabitado em mim
Estou vazia enquanto cai a chuva
Deserta
Me esvaziei de ti
mais je pense à toi...
Postado por Raquel Carvalho às 08:28 0 comentários
domingo, 11 de abril de 2010
Declaração de amor

Simplemente te quiero, mi vida...
Eso es todo
No sé si te amaré manaña
Tampoco se va a ser eterno
Para todo siempre
Pero...
Te quiero, te quiero mucho, mi vida
Muaaca!
Postado por Raquel Carvalho às 19:50 0 comentários
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Ela e lembranças
Sem qualquer vaidade, o cabelo num rabo de cavalo, sem mesmo um batom sequer que lhe pintasse os lábios. Mas era ela mesmo, sem sombra de dúvidas, caminhando em suas lembranças. Sentindo tudo. E Era ele que caminhava na direção contrária, que a havia visto e fingido não ver... Os dois corações aceleravam-se mutuamente.
A mesma disputada travada de olhares. É impressionante como olhos não mudam com o tempo. Não envelhecem nunca, mantém a vivacidade da alma. O nossos olhos se provocam, em um eterno jogo de sedução... O mesmo de quando eu o vi pela primeira vez e quis vencer os seus olhos, como ele quis, também um dia, vencer os meus.
Essa queda-de-braço que já dura não sei quanto tempo, teve o seu ápice no ano de 1800 e alguma coisa, em uma cidade qualquer. Fui até ele para aprender a tocar piano. Queria estudar com melhor e o meu pai, que sempre atendia aos meus caprichos, me deixou ir, mesmo a contra gosto, devido à sua fama de sedutor. Lila me contou que ele andou se engraçando com uma de minhas primas...
Depois da morte de minha mãe, meu pai passou a ficar mais tempo em casa. Meio pelos cantos, talvez a sua consciência pesasse um pouco. Afinal, passou toda uma vida lhe cobrando um filho homem, e isso acabou matando a pobre.
Minha mãe era uma talentosa bailarina alemã, a primeira bailarina de uma importante companhia de ballet austríaco. Havia fugido de casa para dedica-se a dança, meu avó nunca há perdoou por isso. Mesmo depois de casada com o meu pai, um importante banqueiro da época, ele se recusara a falar com ela.
Era sempre muito calada, a mulher mais elegante que eu conheci. Não se aproximava muito de mim, não me deixava conquistá-la. Ensinou-me alemão, a tocar piano e a dançar lindamente com ela. Tudo a uma certa distância. Quando dançava, abandonava-se a dança, parecia um cisne em uma lagoa de água azulzinha, transparente e calma. Não sei se posso dizer se a amava, mas queria ser altiva com ela.
Havia um atelier em nossa casa que respirava música e dança. Era um imenso salão com um piano no canto ao lado da janela que dava para o jardim. Muitas obras de artes, quadros e esculturas de bailarinhas, decoravam-no em meio a muito branco e as cortinas de seda peroladas. Lembro-me de uma caixinha-de-música com uma linda bailarinha que fica numa posição de destaque, que fora um presente de casamento de meu pai. Eram os olhos de dela.
Minha mãe muito compenetrada, ensinado-me le pas coupé e eu olhando para a Lila sorrindo com a minha cara de travessa, fazendo caras e bocas. Não desdenhava, só que ela levava as coisas sério demais e queria brincar com as minhas bonecas.
Não queria ser bailarina. Queria ser musicista. A minha paixão era o piano... Era a única coisa que era capaz de prender a minha atenção aos cinco anos de idade e um jardim inteiro a minha disposição para ser explorado.
Era mágico o som que emanava dele. Conseguia atingir algo em meu coração que não sabia ao certo como definir aquela sensação que tinha alguma coisa de triste e de alegre ao mesmo tempo. Era como se podesse escolher com que sonhar...
-Marie, sors de là, coquine! Gritava Lila quando me via subindo na minha árvore preferida do jardim. "Vai se atrasar para as aulas de alemão" Dizia ela enquanto ajeitava o laço do meu cabelo. Nesse dia, eu usa um vestido cor-de-rosa combinado com o laço de fita também rosa, que não segurava no meu cabelo, fininho e com cachinhos nas pontas. Mas parecia um menino, tinha as unhas sujas de terra e os joelhos e pernas cheios de hematomas. "Não gosto de alemão. Papai disse que alemão só serve para falar com os seus cavalos... " Obtemperava zangada.
Lila me olhava sorrindo complacente. "Só quero falar francês como o papai". Essa frase fechava sempre o meu discurso indignado, enquanto caminhava rumo as benditas aulas de alemão...
Minha mãe me esperava na sala com uma régua na mão. Falava somente em alemão comigo. Foi assim que aprendi a falar alemão fluente e a gostar mais do francês.
Sempre que o meu pai chegava de alguma de suas viagens, minha mãe o recebia com festa. Eu o recepcionava tocando o piano. Ele me não escondia o seu orgulho de mim, estava cada vez mais parecida com ele. Colocava-me no colo, enchia-me de mimos, das bonecas caras que tivessem a cor dos meus olhos. Ria-se quando Lila contava-lhe minhas travessuras. Enquanto a minha mãe, ele lhe era indiferente, mesmo depois de haver preparado-lhe tudo com tanto carinho.
Costumávamos ir a nossa casa de campo no verão para cavalgar. Papai adorava cavalos e me ensinou a cavalgar desse de pequena para desespero de Lila. Ele era o melhor pai do mundo, me entendia como ninguém. E fazia todas as minhas vontades. Eu tinha os gestos delicados de minha mãe e o gênio do meu pai. Uma combinação explosiva, não? Se pudesse me conhecer naquele tempo, você ia entender exatamente o que eu estou dizendo. A minha mãe sentava-se perto do lago e ficava horas observando-nos enquanto apostávamos corridas a cavalo. Não interagia conosco, não esboçava qualquer reação. Parecia uma fria estatua de mármore. Eu tinha um cavalo lindo, que foi presente de aniversário de 12 anos. Esse verão, de 1864, foi o mais feliz da minha vida. Papai viajava menos. Estavamos mais tempos juntos. Porém, foi por esse época que o silêncio e a tristeza de minha mãe foram se tornando mais crônicos. Dois anos depois ela veio a falecer. Ninguém me explicou ao certo de que, só que ela teve uma parada cardíaca, mas ninguém entrava em detalhes, falavam baixinho pelos cantos e quando me aproximava, mudavam de assunto.
Na escola, todas as meninas só falavam em casamento, em arrumar o melhor partido, que tivesse uma boa família. Imaginavam festas luxuosas, joias e tudo isso que você já deve está imaginado. Éramos criadas para sermos donas-de- casa, mães, esposas, e não um ser humano feminino, com vontade própria, livres para serem como realmente eram. Sobretudo, imaginava a minha mãe, linda, coberta de joias caríssimas e casacos de peles. Estava sempre triste, com um sorriso educado nos lábios, alimentando a vaidade do meu pai.
Não! Definitivamente não! Não era isso que eu queria para mim.
Nessa época eu devia ter uns quatorze anos. Adorava ler, continuava muito curiosa. Tinha uma necessidade de aprender muito grande. Meu pai me comprava livros, qualquer um que eu quisesse, contanto que a minha mãe não soubesse. Ele se chamava Lion. Agora lembrei! Era alto, esbelto, tinha barba e bigode escuros, como seus cabelos. Era branco, como as maçãs do rosto sempre coradas. Elegante, eloguente e culto. Todos esses atributos o tornava um grande sedutor. Mas do nome de minha mãe eu ainda não lembrei.
Li muitos poetas ultrarromânticos da época. Adorava poesias de amor, mas não era capaz de compreender como se podia morrer de amor...
Postado por Raquel Carvalho às 18:47 0 comentários
Seguindo viagem

Sai meio apressado
Podia ficar mais um pouco, podia...
Mas não quis esperar, nem me despedir
Não gosto de despedidas
Parti, meio a contra gosto, sim!
Com um nó na garganta que não tem tamanho
O tempo não espera
E aprendi a não esperar com o tempo
Guardei o relógio de bolso
E as mãos de fazer poesias
Silêncio nos versos
Não estou feliz, nem triste
Na verdade, queria que fosse diferente
E parecia...
Ajeito a bagagem para que fique mais leve
Quero levar só boas lembranças
Tento sorrir
Como se não doesse
Ponho os óculos escuros
Respiro o medo do mundo
Acho que dessa vez
Não consigo achar mais nada
Nem procurar
Só quero caminhar
E andar
E andar....
Postado por Raquel Carvalho às 07:29 0 comentários
domingo, 28 de março de 2010
Mi regalo

Cheguei até aqui por escadas subterrâneas
Meus pés tocaram
O mar que avistei ao longo do caminho
Senti o sal
O cheiro de maresia
Senti o nascer do sol
E pude te sentir tão perto
Na imensidão do sentir
A extensão da vida
Por onde a vista alcança
Em uma outra dimensão
Na extensão de um outro ser amado
Eu chegava até aqui
Eu te trazia comigo
Eu que tenho medo de amar
Eu que sempre fui assim...
Ou tudo
Ou nada
Redescubro o meio termo
O fio da meada
A pausa...
Mas posso te confessar uma coisa
O mar nos convida
Dame tus maños
El cierre de tus ojos
Déjame que te enseñes
Mis huelgas
Y mis pies descalzos
La suntuosiadad de mis ombros desnudos
Cuando bailo
Y te miro de reojo
Porque la vida es mía
Mi corazón es mío
Para que pueda elegí el dueno de la mirada
En el movimiento de mis caderas, cariño...
Y eso te susurro...
Postado por Raquel Carvalho às 20:17 0 comentários
sexta-feira, 26 de março de 2010
Sótão

Entrei e fechei a porta...
Não adianta bater
Eu não vou escutar
Não adianta gritar
Eu não vou escutar
Não adianta dizer...
[Qualquer coisa
Eu não vou escutar]
Não falarei nenhuma palavra
Não escreverei nada
Não serei
Não Dormirei
Não entenderei
Não são minhas mão que levo aos ouvidos
Nem o coração que está parando lentamente de esperar
A carta que não chega
A vida que não completa
Os quadros da sala
Os móveis cobertos
Com o piano exposto,
E cheio de poeira
Não, não podes imaginar
A janela não mostra a rua
Há uma luz, mas que luz é essa?
Não, definitivamente não!
Eu não sei, o que verei
Nem o que virá quando sair à rua
Ficar aqui, é sempre uma melhor opção
Há silêncio
E um pouco do mar que guardo em mim
Ele de alguma forma
Em perfume
Em qualquer lembrança boa
Vendo essa janela,
Um céu de nuvens e sem estrelas
Penso na chave...
Mas fecharei a casa
Que sempre foi aberta
E todas as persianas da janela
Ficarei todo o inverno, penso...
Definitivamente,
Eu não sei o que querer....
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quarta-feira, 24 de março de 2010
Continuo achando...

Sinto saudades...
Sem definir o que sinto
Caminho, meu amor, caminho
Em direção as minha pegadas
Alheiada
Contando pedras
Contando sonhos
Sentindo falta
Sentindo mais
Não sou capaz de dizer-te
Qualquer palavra
Continuo achando
E essa certeza, meu amor
Essa certeza talvez alcance
Os meus pés
Os meus braços
Nessas minhas andanças pelo mundo
Quando não fui eu
Também não eras tu
Penso que não houve um dia sequer
Que não procurei por teus olhos
Dentro de mim
Para alumiar
O meu sorriso
Sendo a vida
Sendo nós
Quando não éramos...
Saudade...
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domingo, 21 de março de 2010
Eu sendo...

Fechei a janela
Porque não quis ver o movimento da rua
O barulho das coisas
Eu quis o silêncio
O meu silêncio
E não um porquê qualquer
Um mau-me-quer
Eu sendo
Aquilo que calo
Já não respondo por aquilo que sinto
O que seriam respostas avulsas
De tempos em tempos
Porque chove e não é verão
Já não existo naquilo que persiste
Que perdura
Que escreve por linhas tortas
Eu continuo sendo
Mas não sei
Abrir a janela
Estar janela
E ser algo mais além daqui...
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sexta-feira, 19 de março de 2010
Minha vida

Dai-me o mar de suas andanças
O mar que te toca os pés
Que te abraça a alma
Que embala os teus olhos de infinito...
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terça-feira, 16 de março de 2010
I Can't hide

Destruí toda a minha discografia dos Beatles
Fiquei sentada pelos cantos da casa
Não sei por quantas noites
Não queria ouvir nada
Dizer nada
Não queria ver...
Nem vê-lo
I' ll tell you something...
Ainda havia tanta coisa para ser dita
E eu sem entender
Revivendo a primeira vez que o vi
A música em que o sentia pulsando...
Quando via as suas mãos...
Sem estar entre as minhas
I wanna hold your hand
I wanna hold your hand
Ele adora beatles
Ainda não sabia o que adorava nele
You'll let me be your man
Como se já fosse
And when I touch you I feel happy inside
Não sabia ao certo, era tanta coisa
De uma vez só
Quando partias, eu chegava
It's such a feeling that my love
Eu esperava que entendesse
Eu não sabia fingir
Ainda não sei
Hoje na aula de inglês essa canção
A Ferir-me mortalmente o olvido
E o coração
Say to me
O que foi tudo isso?
I can't hide
I can't hide
I can't hide
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16 de março...

16 de março
Dia fechado
Não está sentado
Não está mais no banco
Aqui em meu peito
Ou em qualquer lugar
Deixou de existir
Deixei de ser
Fomos...
E o inesquecível
Ainda perece
E o tempo
Será que o esquece
Será que esquecemos
Ou será que ainda somos
Não mais os mesmos
Mas algo além
Do um banco vazio
Está triste
É apenas o dia 16 de março
E ele continua distante...
Postado por Raquel Carvalho às 08:18 0 comentários
Passos

Caminho...
Mas o meu peito se permite olhar para trás
Uma vez mais
Nesse momento da travessia
Já não sei
O que a visto
Sinto que o meu coração se parte
Que os meus pés se dividem
E os meus versos se desentendem
Onde estão as minhas mãos
Os meus olhos
Por que a poesia destona
A rosa escurece o dia
E vida amanheceu hoje
Um pouco mais vazia...
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Isso...

Fechei a janela
Porque não tinha nada mais para fazer
Parei por instantes
Parei para pensar
E não havia um fato sequer
Papel amassado
Uma caneta sem tinta
Em um porquê de tudo
Mas eu gosto do mundo
Eu gosto de ficar assim sentada
Eu o observo em silêncio
Quero que ele sorria
Se sinta abraçado
Que me sinta...
[Ao dormir,
Primeiros raios de sol da manhã
Acordando o seu dia
Mas uma vez, aquele silêncio...
- Aceita os meus olhos, aceita-os...
Postado por Raquel Carvalho às 19:15 0 comentários
domingo, 14 de março de 2010
Caminos

Dime con tus ojos el camino que quieres que yo siga
Que te enseñaré mis ventanas
El mar que escribo
Desde mi paisaje
Seremos escaleras
Albergues
Molinos del viento
El polvo de la carreta
Espejismos precisos
Del reloj
Y no punteros
Estrellas
Besos
Los lunares de mi cuello
Ojos cómplices
Cielo azul
En un domingo de playa y sal en la piel
Hiatos contemplativos
[miradas
De tu ser hacia mí
Dime el camino
Que te enseñaré mis pies...
Postado por Raquel Carvalho às 18:32 0 comentários
quarta-feira, 10 de março de 2010
Um sol no mar
O que fazer para alegrar o teu dia
Te daria o sol no mar
E tudo que ele representa nascendo
Um novo dia
Um novo mar
Uma nova forma de ver as coisas
Eu que te espero na praia
Eu que te escrevo na areia
Eu...
Praia...
E todo o amor do mundo que quiseres
Porque é assim a minha forma de amar
É assim que me tens
Quando me encontras na praia que te guarda
No sol que te acompanha
No teu olhar que me carrega
Me leva onda, me leva espera
Sendo rosa,
O coração que ancora
Na noite que já, já chega...
No céu de estrelas
E o beijo
Ah! o beijo...
Postado por Raquel Carvalho às 19:05 0 comentários
domingo, 7 de março de 2010
Um lugar

Deus me deu um coração bastante grande para amar
E seus olhos para fazer versos
Suas mãos, seus pés e cada palavra que sai da sua boca
Um lugar
Uma paisagem que busco para descansar
O meu olhar para mundo
E parada aqui
Sem respirar por instantes o ser amado
Sou uma extensão
Da terra
No mar que reflete o céu
Sendo árvore
Moradia
Natureza
Sinto, que posso sentir tudo
Que posso sentir o porquê de 07 de março de 2010
ser algo importante
Sinto, que posso ser o que quiser
Quando sinto, que você sou eu...
Postado por Raquel Carvalho às 19:32 0 comentários
sexta-feira, 5 de março de 2010
Felicidade...

Dai-me a felicidade de seus braços
Quando o Sol amanhecer o dia
E seguir o caminho natural da vida
Quero o mistério constante de se amar eterno
Quero o balbucio
O sussurro
E o encontro de lábios
O mágico
O lúdico
E a saliva
Os olhos nos olhos
Quero a vida
Uma manhã como essa
A ternura de amar-te
E o meu peito sempre em festa...
Postado por Raquel Carvalho às 18:38 0 comentários
quinta-feira, 4 de março de 2010
Mi vida...

Não sei se já te falei do meu amor pelos pés
Dos pés que sustentam o corpo
Que estreitam o caminho
Dos pés descalços
Que caminham com afinco
Que percorrem o mundo
Que me miran desde lejos
Que son capaces de escuchar
Cada paso mío
Desde de mi alma...
Sendo paisagem
O meu encontro e o mar
E a certeza de não estar sozinho
Sendo pôr-do-sol
Manhã
Da noite que não se dorme
Do dia que não reage
A fliparte desde mi mente
Al conciente de ser
Algo más grande
Cuando se camina
Sin descanso
porque si no me durmo y no sueño contigo
Si cerro mis ojos y estás aquí
Onde buscarte,
Mi vida , para la parte
que reclama tu sonrisa
Y en el cuerpo
que ya no es mío es tuyo
Qué hacer de mis manos
Y de la mirada que encho a tus pies
Quando já não sou yo que camino,
Senão nós
Porque a cada dia, a cada hora, a cada passo
Te quiero más...
Te duermo más...
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Algures

Os meus pés e o meu guarda-chuva
Trouxeram-me até aqui...
Haja paciência
Cerimônia
Ousadia
Numa corda bamba
Atada até a lua
De meus olhos
Em uma constante
Do que sei
Nada ficou
E permanece
O lugar do não ser
Quando o existir subsistindo
Pede passagem
Algures
Saudade
A imagem contemplativa de sentir
Forma de gente
Respirando
Pulsando
O momento vida
E o albergue tempo
Em um espaço qualquer do indefinível
Os olhos seus em alguma rota
E os meus, voltados para dentro do meu ser que ancora
Nesses versos vivos
De minhas andanças
Temperanças...
Uma pausa,
Postado por Raquel Carvalho às 17:24 0 comentários
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Janela
Havia um passado aqui
Entre nós dois, uma janela
Uma passagem secreta
Uma cordilheira
O seu olhar distante
De alguém que contempla
O mar
O sol
O infinito
Eu, caminho
Chego de surpresa
Calma
Lívida
Contando histórias
Fazendo-te rir
Sempre tão sério
Sempre pensando
Há um passado aqui
Que termina e ainda não passa
Que se apressa
Que espera
Que nos aguarda
Sendo eu inconstante
Sendo tu equilibrio
Por hora, caminho
Por hora, observas
Para que um dia sejamos janelas
Paragem
Barco a vela
Aquarela
O amor maior do mundo
E o mundo
Sendo muito mais além de horizontes...
Postado por Raquel Carvalho às 07:04 0 comentários
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Seguindo...

Seguindo...
Sacudindo a poeira
De novo a caminho
levo comigo o que cabe na mochila
O essencial aos olhos
O invisível
Já não preparo mais café cedinho
Quis mudar de casa
De coração
Mas passou, menos o café...
Pés na estrada
Seguindo a rota
O meu destino
Caminho de encontro ao meu acaso
Estou aprendendo a cada passo
Que sou do tamanho do meu erro
Que sou como sou e isso me basta
Para querer ser aquilo que busco
Não quero atalhos
Dédalos infinitos ao meu redor
O porquê de tudo
O porquê de seus olhos mudando o rumo
Sendo bússola
Música
Qualquer coisa
Desse horizonte que avisto de longe
Como se fosse tão perto
Tão possível de ser...
Postado por Raquel Carvalho às 16:53 0 comentários
sábado, 16 de janeiro de 2010
Viajero eterno...

Caminando sin cansacio alguno
En el alma
llevo conmigo un equipaje sencillo
Algunas fotografías borrosas
De lo que resultó de toda una vida
De viajero eterno
Con ganas de camino
Con ojos nostalgicos
De día traz otro
Echando de menos
Las noches con estrellas
Y llenas de los ojos tuyos
Un vals
Mi piano
Los besos de amor con los que soñé
Y todavía siguieron desvelando
Suenos
Alba
Peces en la mar de los sentimientos míos
Cariño, quieiro que sepas una cosa
Mientras viva yo,
Camiñaré hacia ti
Por ti
Desde mis pensamientos
Hasta las líneas de mis versos todos
Bajo la brevedad del tiempo...
Te quiero mucho
Te quise siempre
Postado por Raquel Carvalho às 17:55 0 comentários
Pelo caminho

Parei para descansar o cansaço do corpo
Parei para pensar
Traçar uma rota
Recontar os passos
Vi ainda mais caminho
Pessoas indiferentes aos meus pés
Pessoas que passavam pela vida sem saber viver
Simplesmente atravessavam a rua
Com olhos vagos
Distantes
Sobrevivendo do lixo
Outras, enclausuradas em escritórios
Entediadas
Sem sonhos e ideologias
Algumas chegavam em casa sem perceber
Que seus filhos cresciam
Em muitas faltavam os olhos nos olhos
Palavras sinceras
Apertos de mãos
Olhar de "você está cada vez mais linda..."
Numa rua vazia às dez horas da noite
Reorientava os meus olhos
A minha forma de ver as coisas de um ponto estratégico
Lá do alto do meu coração
Olhos nos caminhos tão cheios de desertos
-Vamos lá, escreva, sinta, ame!
Ouvi de uma voz perdida em mim
-Vamos lá, encher esse mundo lindo de amor!
Postado por Raquel Carvalho às 17:25 0 comentários
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
O que sinto...
Ao olhá-lo
Sinto que algo me invade a alma de calma
São teus olhos que em algum lugar
Se perdem e se acham
Em uma dimensão qualquer
Onde me encontro
Cheia de um contentamento muito meu
Meu peito em festa
Meus olhos serenam o pôr-do-sol de candura
Irradiando luz preguiçosa pelo céu que elegi para ser
O começo da noite que traz paz
Observo a tranquilidade crepuscular
E ausente de mim
Busco o que me fez feliz
Eu te amei tanto
Eu te quis tanto
Meu Deus, como eras lindo!
Eras chuva
Eras saudade de tempo bom
Brisa da manhã
Domingo com mar e Sol
Paisagem contemplativa de meus olhos
Como ser assim cheia de tanto tempo
Mas o que passa a ser o tempo desde de então?
Sol se pondo?
Céu de estrelas?
Dia que amanhece e depois dorme?
Que nome tem o contemplar-te?
Já que sinto
Uma imensa vontade de gritá-lo
Meu Deus, como eu ainda o amo...
Postado por Raquel Carvalho às 19:06 0 comentários
domingo, 10 de janeiro de 2010
Persona

Não quero que veja os meus olhos
Que os cubra de lua
Não quero que tenham a profundidade da máscara
Não quero que solte os meus cabelos
Que veja os meus seios
Que diga te amo enquanto durmo
Não quero que me leia
Que ouse conduzir-me aos seus olhos
Por caminhos que chegaria sozinha
Não pense que sou sua
Não sei como seria o fim do mundo
Não pense que minhas costas são o que há de mais sensual em mim
Não pense em minhas pernas
Na minha boca sorrindo
Na minha voz sussurrando-te...
Não quero que me veja assim!
Que não me veja
Naquilo em que acredito ser
Porque já não me encontro em imagens embaçadas
Em corpos que comungam carnes
Salivas
Sal
E insensíveis toques de dedos frios
Não gosto da superfície das coisas
Da superficialidade da pele
Na verdade, eu realmente não quero
Que me percas assim...
Postado por Raquel Carvalho às 18:01 0 comentários
sábado, 9 de janeiro de 2010
Às vezes eu...

Às vezes sou como a chuva de sábado para domingo
Cheia de saudades sua
E a rua
Acorda com cheiro de terra molhada
Cheia de calçadas e pegadas
Guardo no bolso
Sigo sem poder voltar para casa
Sem reler os versos
Porque às vezes não sei o que dizer da palavra madrugada
Da palavra Frio
Da palavra nostalgia
De tudo que levo comigo
Junto ao corpo
Às vezes eu
Às vezes coisa alguma de mim
Em meus olhos
Ausência de ponte
De reflexo
Onde está o belo?
O que é de meus olhos
O que foi meu quando era você
O que fazer do eterno amor que nunca acaba
Às vezes eu não sei mais nada...
Postado por Raquel Carvalho às 20:00 0 comentários
Kokeshi
Estava chovendo muito. Começou de repente, quando eu voltava para o trabalho a algumas quadras dali. Tentei abrigar-me sob a laje de uma loja que vendia coisas vindas do oriente. Na vitrine, havia um "bonequinha japonesa" que chamou minha atenção. Os olhos puxados, os lábios, cabelos... Pude lembrar dela carregando livros contra o peito, caminhando para mim, para que pudesse vê-la passar. Como se tivesse saindo de um poema qualquer de Neruda no fim da tarde. Por instantes pensei no que gostaria de dizer a ela, no que gostaria de ouvir depois de tanto tempo, e a pequena gueixinha me olhava atenta com olhos tímidos, de um silêncio contemplativo. Talvez já me esquecera, se é que me amou um dia. O que sentia diante dela, com aquele questionamento de fato, nostalgia? Não sei... Nunca conseguimos nomear aquilo que sentíamos. O que era o olhar para ela, vindo em minha direção, carregando seus livros, sendo qualquer poema de amor que Neruda foi capaz de escrever?
Assim, como se me entendesse, a kokeshi dialogou com o meu coração:
-Perdoa-me quando disse que o amava...
Meio assustado continuei olhando-a.
- Eu ainda...
- Eu nunca...
- Eu sempre...
E as suas frases nunca sendo finalizadas, como as minhas "Eu não consigo entender o porquê de não..."
Postado por Raquel Carvalho às 18:39 0 comentários
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Pensando bem...

Quero um céu de estrelas para alegrar o meu dia de mar
Quero um bote
Uma ponte
Um bom livro
Carlos Drummond de Andrade
Quero os meus pés descalços
Um caminho sem atalhos e com pedras
Seus olhos crepusculares
no "finalzinho da tarde"
Quero o simples das coisas
Os seus versos em tudo
E quando dormir
Não peço
O mesmo pedido de sempre
Cheia de algas-marinhas
Na minha praia deserta
O meu não-lugar no mundo.
Postado por Raquel Carvalho às 07:46 0 comentários
Ainda não sei

De meus dias
Sempre tão iguais
Ainda não sei
Uma forma segura de deixar o meu coração partir...
Me desespero
quando ele vai até a esquina
Já vou correndo buscá-lo
Não sou eu mesma
Sem nós dois formando um só...
Simplesmente sinto
Uma alegria invadindo o meu peito de mar
E um abraço de brisa
Em meus moinhos de incertezas
Irradiando o amor maior do mundo
Pelos quatro cantos do planeta
O meu coração é partido
Mas ainda não sei
Por quanto tempo
Conseguirei guardá-lo aqui comigo...
Postado por Raquel Carvalho às 06:56 0 comentários
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Sem palavras por hoje

O que há de poético na chuva
Em meus olhos quando a observo
E te levo dali
Há algum lugar
Que percorres em teu silêncio
Na minha pele
Em meus beijos sofreando a noite
Em teus olhos no horizonte
De minhas mãos
Tentando se proteger do frio
Tateando versos
O que há de poético nas palavras que calam
Que já não me traduzem
De cor e salteado...
Já não sou janela
Nuvem
Medo
Amor para todo o sempre
Passado
Sou talvez um passo à frente
Esperando a chuva, passando
Mas sem palavras por hoje...
Postado por Raquel Carvalho às 19:36 0 comentários
Ano 2010

O ano de 2010 amanheceu nublado
Não pude resistir ao impulso
De pensar em seus olhos
E eu estava na praia
Chegou cheio de expectativas
E o meu coração o recebeu com festa
Ao sabor da areia molhada
De maresia
Nessa noite,
eu estava sob um céu com poucas estrelas
Uma lua cheia
Algazarras
Champagne
Fogos
E gritei bem forte "bem-vindo"!
Postado por Raquel Carvalho às 18:49 0 comentários



