
Acho que já passei por aqui
Fazendo chover do meu jeito
Quando não quis ver o sol de qualquer forma
Imaginei a ponte
Suas mãos
E o meu coração batendo forte
A ansiedade dos passos
Na sutileza do tempo
Na leveza dos pés
O calcanhar de Aquiles
Olhos, olhares
Bocas
Sorrisos
O abraço-saudade
E o que restou do caminho
Molhado de chuva
Na presença do sol
A travessia
A nuvem que foi embora
E a maresia
sábado, 28 de novembro de 2009
Travessia
Postado por Raquel Carvalho às 16:36 0 comentários
Não mais...

A chuva caía...
Não mais
Podia olhar para trás
Nem levar
Aquilo que podia ser indispensável
Do que sobrou
Não sei dizer
Porque não trago comigo
Ultimamente, esqueço coisas
Já não lembro
Isso também não quer dizer
que deixou de existir
Só não consigo mais parar
Eu tenho o tempo...
Postado por Raquel Carvalho às 16:18 0 comentários
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Por esses dias...
Por esses dias
Chovia
E precisei de um remédio para alma
Percorri ruas inteiras sem guarda-chuva
Porque não me molhava
Queria o frio de que não gostava
Sentia o cheiro da terra
O chão das calçadas
Eu era
Aquilo que não chegava
O que talvez não pudesse ficar
Ao certo, não sendo
Ficava deserto
O coração e os versos a mar aberto
E o tempo
Era um tic-tac preciso
Ainda era dia
Mas em peito nada acontecia
Só chovia, chovia
Mas também não via a chuva
Só o barulho
Só o silêncio
De meus passos avulsos
Já não esquecia
A lembrança pela vidraça escorria
Somente pensei
Ao certo, não sendo
Nada serei
Por que se não há distancia entre a chuva e eu
Acho que sou
Que somos
E nada se pode deixar de ser
Aquilo que nasceu para ser chamado por mim
De meu amor
De uma chuva minha
E por esses dias,
Apenas, vida...
Postado por Raquel Carvalho às 19:27 0 comentários
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Rosas, a caminho...

Quero colher as rosas de meu jardim
Mas tenho uma pressa muito minha
Tenho fome de tempo
Tenho sede de espera
Falta a calmaria da brisa
E a certeza de que as pétalas
Tenham o perfume da pele
E a saciedade perpétua
Eu, tempo
Eu sou espera
E as rosas talvez começem a surgir
Mas a ansiedade dos meus olhos
Não conseguem alcançar
O desenho perfeito
Do sorriso mais lindo
No abraço que quero
Eu tenho fome de tempo
E sede de espera
E vem em meu alcance
Percorrendo na velocidade das horas
Os pés com que caminho
Devagar
Sem pressa
Eles conduzem os ponteiros
E não havia percebido
Que todos os caminhos me levam aos seus olhos
Que por eles
Não há tempo, nem espera
E que não existe
Aquilo que não se perde
Quando se sacia de fome e de sede
A certeza de que o estar junto
Nem sempre é o estar perto
Então, as rosas aparecem
Ganhando cores e perfumes indeléveis
Meus...
Feitos por mim para mim
Teus...
Feitos de mim para ti
Com todos os versos desse jardim
Que com o meu coração conseguir plantar...
Postado por Raquel Carvalho às 16:35 0 comentários
De novo, o piano?
Na casa desabitada onde me encontro
Às vezes não me vejo
No espelho em que me olho
Quando não vejo o espelho
No lugar de sempre
Casas de espelhos
Côncavos e convexos
Onde os seus olhos tomam a proporção de universo
E o piano no canto da sala
Sem móveis
E quadros se telas
À noite, toca-me uma canção de ninar
Para a insônia desfragmentada
De meus versos dormidos
Que formam o piso
da pseudocasa
Eu já disse, não insista
Eu não moro mais aqui!
Mas ele não escuta...
Postado por Raquel Carvalho às 16:13 0 comentários
