
Estava no meu sonho ontem. Porque eu sentia tanta saudade, procurei até encontrá-lo. E o encontrei distante, com um coração que não batia. Acordei angustiada e pedi a Deus para não pensar mais... Voltei a dormir, e lá estava você de novo. Como se quisesse me dizer alguma coisa que não podia ser dita. Alguém falava do casamento, talvez a sua possível noiva. E os seus olhos ficaram distantes, podia sentir todas as suas dúvidas e os seus questionamentos. A sua imensa sensação de vazio, um vazio que também é meu. Aproveitando uma distração dela, passou deslizando do seu sofá para o outro onde estava sentada de braços cruzados. Disfarçadamente, segurou a ponta dos meus dedos e encostou o seu rosto ao meu. Foi quando não conseguiu conter-se, e já não se importava se nos olhavam. Era a sua forma de dizer "eu estou aqui, também sinto saudade" quebrando as regras. Saí envergonhada, por não saber respondê-la quando me perguntou o que era aquilo. Você me seguia até a porta e mais uma vez tentava me dizer alguma coisa e não conseguia. Somente me perguntou "quantas vezes ficamos juntos?"Mas uma coisa era certa, ao início, não era naturalmente você, porém depois era o meu amor de sempre, com o coração batendo espaçado. A nossa velha cumplicidade, a troca de olhares, toda a sua proteção, da qual sinto muita falta. Está muito difícil, ter que caminhar somente com os meus pés... Mas tenho que seguir viagem. Um mar de ideias confusas me assola em meio ao silêncio de passos vagos, sempre em frente, um pé trás outro. E assim me descubro em mim mesma, algo pleno, cheio de labirintos subterrâneos a mar aberto, naufragando em caminhos que antes eram dispersos, indefinidos. Algumas vezes, quando a saudade é maior que o mundo, é que corro para os seus braços, quebrando as regras... Quando tudo isso acabar e os meus pés, descansando juntos aos seus, todo o esforço terá valido a pena... Talvez só agora aquela sua pergunta faça sentido e possa resumir tudo com uma outra pergunta a ela "E quantas vezes estivemos separados?"