Como era ela, vovô? Os olhos do avô brilharam e um sorriso também iluminara o seu rosto. Falava sorrindo como sempre, com um sorriso no canto da boca, e com os olhos lânguidos voltados para dentro. O avô respondia pausadamente as perguntas do menino. Ela era encantadora, não sabia ao certo o que sentia quando a via... Era mágico poder olhar aqueles olhos e transceder para dentro deles. Sabe quando você consegue se ver projetado em alguém, e ser capaz de ficar horas e horas observando uma figura de uma delicadeza singular?! O mundo se resumia ali, meu mundo era ela.
E por que não ficaram juntos? Passei toda uma vida evitando essa pergunta. O velho sorria suave olhando para os lados. Mas era ela mesmo na loja de doces? Insistia o menino curioso. Talvez... Ela foi poetiza, musa lírica de Aristóteles, que cantou o amor intenso à flor da pele. Me esperou voltar da gerra, quando eu não voltei. E não aguentou de saudades. Sua dor descarnava meu peito.
Então, a vi ressurgir linda ao piano. E na escadaria do Teatro Garnier. Depois de tanto tempo, ela passava por mim como se estivesse ao alcance de minhas mãos. E eu não entendi muito bem o porquê de poder não ser minha.
Eu a quis tanto... E nunca pude esvaziar do peito esse querer. A minha vida toda ficou marcada com uma enorme sensação de falta algo.
Nesse momento, o velho já não se importava de estar falando tudo isso a um menino de apenas nove anos de idade. Ele queria muito falar, tirar de dentro do coração aquilo que mentira existir, e vendo-a ali passando com aqueles olhos, os meus olhos cúmplices, tão perto...
E pensou na pele branquinha, no sorriso sereno na boca carnuda, de lábios suntuosamente desenhados que percorreria com os dedos depois de saborear o beijo... Sentado no banco, recuperava as forças das pernas, enquanto a via entrando no carro e de novo partindo.
Então, a vi ressurgir linda ao piano. E na escadaria do Teatro Garnier. Depois de tanto tempo, ela passava por mim como se estivesse ao alcance de minhas mãos. E eu não entendi muito bem o porquê de poder não ser minha.
Eu a quis tanto... E nunca pude esvaziar do peito esse querer. A minha vida toda ficou marcada com uma enorme sensação de falta algo.
Nesse momento, o velho já não se importava de estar falando tudo isso a um menino de apenas nove anos de idade. Ele queria muito falar, tirar de dentro do coração aquilo que mentira existir, e vendo-a ali passando com aqueles olhos, os meus olhos cúmplices, tão perto...
E pensou na pele branquinha, no sorriso sereno na boca carnuda, de lábios suntuosamente desenhados que percorreria com os dedos depois de saborear o beijo... Sentado no banco, recuperava as forças das pernas, enquanto a via entrando no carro e de novo partindo.


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