sexta-feira, 10 de julho de 2009

Allende...












"Tira as tuas sandálias dos pés, pois a terra em que tu pisas é santa... Ex. 3:5"

E vou sentindo a areia fininha, enquanto os meus pés se firmam no chão. Ando como uma criança que dar os seus primeiros passos, meio cambaliantes, sem equilíbrio, sempre em frente. Vou em direção ao mar tranquilo e calmo que vejo distante, diferente das grandes ondas que se chocam com as infinitas pedras subterrâneas do meu peito. Dentro de mim há muitas perguntas confusas e medos desconcertantes ao léu, com ventos tempestuosos que desenquietam os meus olhos, mudando o curso do rio, que está destinado para uma outra margem "allende" que vai de encontro a um mar maior que eu.
Sinto um frio insuportável, como se eu fosse a personagem principal de um filme de Buñuel, mas gosto de estar descalça, gosto de sentir a liberdade dos meus pés por onde passo, pois cada grãozinho de areia é uma parte integrante de mim, que faz parte do meu caminho, formando o chão onde piso e dando com precisão a direção dos ventos e dos meus olhos, o horizonte.
Por enquanto, sou sensações que ocilam entre extremos exacerbados e dementes, entre seus olhos e o que não quero deles, entre o instante de agora e o relógio infinito, entre o que foi dito e as reticências dos caos. Por enquanto, ainda não sei quem sou, mas gosto do intenso, de ficar descalça, de me buscar em terras onde não estarei nunca, de me achar por acaso e me perder de novo. Numa eterna busca, para um eterno retorno. Porque sempre serão curiosos os meus olhos e a minha vida nada perfeita para escrever histórias. E me espera um mar calmo, dentro e fora de algo que virei a ser, "allende".


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