Ainda não defino bem a direção dos ventos, também ainda não baixou a poeira, paciência. Sua imagem rarefeita segue flertando comigo, mesmo que ao longe, em tons pastel e cinza, ainda é capaz de ferir-me, mas já não me importo mais, deixa doer... até que sare de vez, até que morra de vez para mim, e possa eu, submergir do transe e do seu mal amado amor.Observo o que restou, e fico olhando longas horas, sem mexer qualquer coisa e um silêncio me invade. É esse silêncio que dialoga comigo, um silêncio repador, um fogo-amigo.
Arrumo as malas para seguir viagem. Não há muito que valha a pena levar. Estou deixando muita coisa para trás. Em uma caixinha gurdei as fotos, as lembraças , o sorriso e o jeito único de olhar-me. Será que olhando-me da mesma forma, me veria do mesmo jeito? Acho que não. Estou tão diferente, tenho muitas marcas pelo corpo, que já não fica em pé sozinho, talvez nem te olhasse nos olhos...
Em todos esses longos caminhos, nunca foi tão forte o acordar de um sonho, vendo tudo sendo desvastado e descolorido bruscamente, nem te perder doeu tanto, quando agora... Talvez porque nunca senti que estivesse longe de fato.
Enfim, parto. Paro pela última vez para olhar para trás. E ficarei assim não sei por quanto tempo. Havia algo de bom embaixo dos escombros, só não quis remexer. Preferi pensar que não, senão não teria coragem de partir. Coisa minha. O meu amor por ti foi tão destruidor quanto suas palavras que ainda ecoam na minha cabeça, simplesmente escuto-as para ter a certeza que já era hora de ir. Mesmo sem direção definida, um barco qualquer, um cais, nada. Irei de encontro ao meu destino, aos meus olhos, com meus próprios pés e minhas próprias mão, levando como bagagem, as inúmeras marcas no meu corpo e as suas palavras amargas para ir me desfazendo delas pela viagem...

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