Então, a vi ressurgir linda ao piano. E na escadaria do Teatro Garnier. Depois de tanto tempo, ela passava por mim como se estivesse ao alcance de minhas mãos. E eu não entendi muito bem o porquê de poder não ser minha.
Eu a quis tanto... E nunca pude esvaziar do peito esse querer. A minha vida toda ficou marcada com uma enorme sensação de falta algo.
Nesse momento, o velho já não se importava de estar falando tudo isso a um menino de apenas nove anos de idade. Ele queria muito falar, tirar de dentro do coração aquilo que mentira existir, e vendo-a ali passando com aqueles olhos, os meus olhos cúmplices, tão perto...
E pensou na pele branquinha, no sorriso sereno na boca carnuda, de lábios suntuosamente desenhados que percorreria com os dedos depois de saborear o beijo... Sentado no banco, recuperava as forças das pernas, enquanto a via entrando no carro e de novo partindo.









