
Extravasei os meus sentidos,
Narciso
extravasei a minha dor
o meu corpo
e os meus gritos
via-te refletido no meu pranto
e nas minhas carnes
dentro de minhas unhas
Extravasei a razão de ser
do não- beijo
do não-sonho
do meu avesso
do vazio dos seus olhos
no meu não-corpo desprotegido
de pele
mergulhei pronfundo
no rio turvo
do seu retrato vago
de insônia desvelada
de sua crueldade egoísta
extravasei a não-dor no poema
o torpor de seus braços
e a vaguidade boêmia
do teu não ser...
nunca fomos
aquilo que deixamos para traz
aquilo que deixamos de ser...
terça-feira, 9 de junho de 2009
Postado por Raquel Carvalho às 08:54
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