Devia ter uns sete anos ou menos, quando o vi pela primeira vez. Ficava num canto escondido na pequena igreja de minha nova cidade, e eu não conseguia entender o porquê não era tocado. Para mim, era algo suntuoso, todo negro. Imaginava que tipo de som poderia sair de suas teclas, como que os meus dedos poderiam passear por ele, acariciando-o, tecla por tecla, regendo-as ao ritmo frenético de meu coração agitado. Podia tocá-lo? Sim! Poderia. Como se chamava? Não me lembrava ao certo do que poderia ser um piano. Nunca o vira igual, eu simplesmente sentia-o pulsando, e minha alma era capaz de comunicar-se com ele. Eu o queria, tinha necessidade dele.
Ao dormir, ficava arquitetando uma forma de lograr êxito na minha empreitada, de como realizar tal proeza. Profanaria o piano como os meus dedos desencontrados ou ouviria o seu magnífico som, reticente, vibrante, uma passagem secreta ao alcance de minhas mãos... uma tecla que me ligava a você, quando já te procurava, e nem sabia.
Acho que foi nesse momento que comecei a pensar que a música sempre deveria dizer alguma coisa, quando não sabemos ao certo o que sentimos. E ela passa a ser algo sublime que nos condiciona ao deleite de sairmos do corpo e da mente, chegando a um espaço inviolável de nosso ser, que não se pode tocar sem uma sonata doce ao piano. Um lugar surdo onde podemos encontrar a nona sinfonia...
Ao dormir, ficava arquitetando uma forma de lograr êxito na minha empreitada, de como realizar tal proeza. Profanaria o piano como os meus dedos desencontrados ou ouviria o seu magnífico som, reticente, vibrante, uma passagem secreta ao alcance de minhas mãos... uma tecla que me ligava a você, quando já te procurava, e nem sabia.
Acho que foi nesse momento que comecei a pensar que a música sempre deveria dizer alguma coisa, quando não sabemos ao certo o que sentimos. E ela passa a ser algo sublime que nos condiciona ao deleite de sairmos do corpo e da mente, chegando a um espaço inviolável de nosso ser, que não se pode tocar sem uma sonata doce ao piano. Um lugar surdo onde podemos encontrar a nona sinfonia...


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