Tocava, porque não podia gritar o seu nome, como se o achasse em meio aquela sonata, embalada por uma chuva em pleno outono, que escorria pela vidraça, abafando o som. Paris fica ainda mais linda no outono: jamais été la grammaire française du vrai problèma pour vous, ma vie... Também sentia saudades do seus braços.
O que era vida então, antes de vê-lo? Tudo estava diferente, o dia ganhara cores vibrantes, as nuvens formas, o mar me dizia algo dele. Mas a música... A música era uma passagem secreta para minha alma confessa. O pianista nunca compreendia o porquê de sua música não alcançar o meu coração, se perdia pelos inúmeros labirintos do meu corpo, até a mais sublime, e o intenso se dissipava na primeira batida que me levava para longe. Agora tudo faz sentido, não obstante, ainda não fazia naquele momento, simplesmente tocava.
Meus pensamentos eram guiados por aquela forma de olhar, tinha os olhos serenos de um brilho peculiar e cúmplice. Sabia o que sentia, o que pensava sem precisar dizer palavra alguma. Era estranho... Como se já o conhecesse e já o amasse de antes, sempre. Mas de onde? De sonhos distantes... estranho...
Tocava, porque não podia dizer que o amava etecétera, eteceteramente...
Paro debalde...
Aplausos!!!
_ Êtes-vous a jouer du piano et mieux mieux, ma belle...
Aquele homem em pé tão frio como a coluna de mármore na qual se encontrava encostado era uma forma cruel de me trazer para a realidade. Passei a não querer mais desposá-lo.
_ Oui, monsier...
Fecho o piano.
















































