Dias silenciosos
Que não acabam nunca
Dias, noites
Dias, madrugadas
Dias...
E essa sensação
E essa...
Que não defino
Vinda de uma solidão indefinida
Pausa...
Meus olhos ao ver algo
Se enclausuram
Tropeçam em meus pés
Mas não caem
A alma quebradiça
Tentando adaptar-se
O céu é de um cinza pesado
Está aqui, muito obscuro ainda
Ainda não sei...
Mas estou aprendendo a ser
Estou sentindo a falta sua
De uma maneira insuportável
Nos sinto distantes
E eu não sei não te sentir
Meu amor, pensei que não ia aguentar
Mas já consigo dar alguns passos
Logo, logo
Estarei mais longe
Esperando-te em algum lugar de nós dois...
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Cinzas
Postado por Raquel Carvalho às 09:01 0 comentários
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Estranho
Para onde eu vou, não posso levar o meu amor comigo
É tudo muito estranho tudo isso
Muito cheio de sentido algum
Nada me sinto
As coisas divagam
Os meus olhos tem que fazer um certo esforço para ver além
E para sonhar, eles não podem dormir
Não é que não durmo, durmo desfalecendo-me...
Caminho
Falo com as pessoas
E até sorriu
Mas é só...
Sabe que descia aqueles degraus sem olhar para trás
Ainda te via
Agora, não mais te respiro...
A maior distância nunca foi a física...
E quando vou te ver de novo?
Eu não sei...
É estranho não saber...
Sinto falta do conforto dos seus olhos, amor
E é insuportável
Há silêncio em tudo...
Mas não paz em tudo
Estou mais inquieta
Minha mente se expande
Diante de mim, um mundo tão conflitivo
Cheio de sentido algum
que me ensina a ser eu
A solidão me possibilita aprender
Aguça os meus sentidos
Mas não ameniza a sua falta
Convivo melhor comigo, é fato
Mas é tudo muito estranho
O novo ainda não me diz nada
Continuo caminhando
E a cada passo, vou me distanciando de ti...
Minha visão, agora estrada
Se concentra em todas as direções possíveis
Tenho muito que andar...
Há muito o que fazer
É estranho, no mínimo
Mas necessário...
Te deixo as minhas lembras mais doces
Como nos amamos...
É estranho no poder mais contemplar o mundo dos seus olhos
Nem me achar mais neles sempre que preciso...
O tempo é muito relativo, sabe
Mas também lenitivo
Calado
Silenciando-me
Estou mais calada
Consegue me imaginar assim?
Amor, cada vez mais distante...
É muito estranho
Postado por Raquel Carvalho às 09:00 0 comentários
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Chegando...
Postado por Raquel Carvalho às 07:18 0 comentários
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Barco...
Eu fui calando, calando...
Silenciando
Um silêncio que havia em mim
E o barco
Desancorando
Aguardando.
Partiamos!
Sem a pressa de quem precisa chegar a algum lugar
Precisava somente partir...
Relutei,
Não minto!
O mais dificil foi esquecer
Os olhos serenavam ao próprio ritmo
E ele que tantas vez escutou os meus versos declamados
Estava aqui
E agora
E no sempre que deve estar
Para onde ir, o que levar
Bússolas sem Norte
Lhe expliquei
Rindo daquele jeito dele
Me viu partindo e ficou onde estava
Daqui em diante
O caminho é o teu melhor guia
Pés firmes
Em descalços
Marcas
Areia
Chão
E o mar? Perguntei
Dentro de ti
E a viagem?
Em ti
Respondia daquele jeito muito dele
Tens o mundo
E eu, a ti
Seguiras os meus passos
A literatura dos teus olhos
E conselhos? Gritei!
Os teus próprios
Respondia sem falar
Da outra margem
Que se distanciava
De alguma forma não estava mais com medo
do escuro, mas sabia que jamais dormiria tranquila
Sonhos, ficaram com ele
Mas o outro ele, respondeu, "continua contigo"
Como se estivesse me ouvindo
A alma comunga a mesma alma
Mas caminhos distintos
Calou-se...
E foi se perdendo ao vento
E sentindo de fato o barco desancorado
Partindo
Em em um todo
Em quantas partes? Nao sei te dizer...
Postado por Raquel Carvalho às 22:03 0 comentários
domingo, 18 de setembro de 2011
Sensação de fim... oficial

Hoje esta saindo
Como entrou
Do nada
E por nada
Para que a vida siga
Arrumando a mala apressada
O trem me espera
Não o levo comigo
Não levo muito
Sei que tenho que caminhar
Há uma sensação de fim
Há uma sensação de recomeço
Está debaixo do livro mais pesado
Daquele que sei que jamais voltarei a ler
Que vou esquecer
Mas vou guardar... até que não mais seja
E aconteça
Que saia de verdade como entrou
Do nada
Para o nada
Que não restou...
Postado por Raquel Carvalho às 21:46 0 comentários
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Elle

Meus olhos cruzaram os seus em uma rápida ráfrega de segundos. Mas suficientes... Devia ter uns 15 ou 16 anos. E estava intessada em música. Fato que me chamou atenção, pois moças da sua idade estavam interessadas em arrumar marido. Tinha um ar altivo dos aristocratas. Vinha acompanhada de uma dama, que parecia uma preceptora, ou alguma coisa do tipo. Uma senhora de uns 50 ou 60 anos. Tinham uma relação de proximidade e conversavam em francês. Talvez fosse uma tia, dessas solteironas que se dedicam a criação dos sobrinos e os tratam com tanta devoção como se fossem verdadeiramente filhos seus.
Tudo isso observava enquanto falava como o seu tio. Um amigo pessoal e um grande incentivador do meu trabalho. De origem francesa, a tradicional familia, que o sobrenome não importa, era conhecida por toda europa por possuirem uma grande rede de bancos. Banqueiros mecenas apaixonados por arte, em especial pela música.
A sobrina vinha da França para ter aulas de piano comigo. Destacava-se por sua incrível inteligência musical e uma habilidade especial com o piano. O que deixava a todos muito orgulhosos em sua família e a incentivam a tocar. Coisa rara para época. O tio falava dela sempre com muito carinho, o que dava para perceber que era muito paparicada pela família. Pois nem de suas filhas ele falava com tamanho entusiasmo.
Depois de convencer o irmão de que a sobrinha tinha um talento raro para a música e um brilhante futuro como pianista, ele permitiu a sua vinda à Austria, que ficaria aos seus cuidados e da preceptora. A essas alturas a minha fama de sedutor já havia percorrido os quatro cantos da Europa e era quase igual a outra.
Fiquei ansioso por conhecê-la, não minto. E ela era realmente diferente. Como eu ia dizendo, tinha a altivez típica dos aristocratas e andava como balharina, porém com uma aura de simplicidade que também lhe era nata. Não usava decotes, ou joias exuberantes. Mas era impossível não olhar para ela. Não me concentrava na conversa do amigo, a observava discretamente.
Ele nos apresentou, mostrava-me indiferente, claro! Ela, tímida. Tímida? Hoje, eu sei que não. Era do tipo inteligente de mais para ser tímida. Foi uma das mulheres mais inteligentes que conheci.
Nossos olhos se cruzaram mais uma vez, dessa vez pude vê-los de perto. Eram negros e buliçosos, curiosos. Sussurrou seu nome. Ensaianos uma breve apresentação como o meu francês enferrujado, e depois de devidamente apresentados, fomos ao piano.
Ela tocou lindamente e eu sei que foi para mim... E de vera fora...
Postado por Raquel Carvalho às 08:21 0 comentários
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Entalo
Sem imagens
Nem som
Até o silêncio é expressivo
Sem sonhos
Nem cor
O não quero
O não respiro
Uma pausa...
Nada de caminhos
Nada de mim chorando pelos cantos
Eu, também não
Ele também não fica
Não grito
Não escuto
Pulo
Voou
Montanhas
Velocidade
Esquecimento
Vento
Palavras sem pronunci[ação
Cansaço
Falta de sono
Falta de nada, não!
Chão
Estrelas
Horizontes
Uma cantilena árabe que toca sutil
Ao fundo
Ao meu coração
Um poeta,
Uma tribo nômade, berbere
Uma incrível sensibilidade que não dá conta do mundo
Canto?
Palavras em desconexão
sôfregas pela entonação de uma voz
Que fala da alma
Do Espírito
Do deserto, impossível construir-te
A qualquer custo
Não resta nada, não!
Sem imagem
Sem porto
Nem barco a vela ancorando coração
Verdade alguma
Entalo
O não fim...
A vida de cabeça para baixo
E a janela que não se encontrou fechada
Quis ver
Baixei a guarda
Perdi todos os meus sonhos
Voaram os meus poemas
Foi-se a poesia das mãos
E a vontade de dormir
Agora, nada não!
Postado por Raquel Carvalho às 19:31 0 comentários

